segunda-feira, 31 de agosto de 2009

♪ Só enquanto eu respirar ♫


Te acordarei sorrindo todos os dias
E sorrirei nos dias em que você me acordar
Procurarei teu abraço à noite
Sussurrando ao teu ouvido o quanto eu te amo
Te darei comida na boca
Enquanto te observo com afeto
Tentarei te surpreender a todo momento
E fingirei surpresa quando não conseguires fazer o mesmo
Me emocionarei a cada vez que te ver deitado em nossa cama
Ou brincando na sala com as crianças
Nosso filho sempre ouvirá boas histórias sobre você
A ponto de se espelhar em alguém tão incrível
Cozinharei o que você gosta
E te farei experimentar sabores desconhecidos
Te receberei de braços abertos
Mesmo depois de um dia cheio
Vou te massagear depois de um dia cansativo
Enquanto ouço como ele aconteceu
Tomarei banho com você
E lavarei tua alma das penúrias do mundo
Te farei carinho mesmo quando não mereceres
Porque lembrarei do que te trouxe até aqui
Ficarei brava com você ocasionalmente
Mas jamais isso vai diminuir meu sentimento
Comemorarei cada vitória sua
Te lembrando o quanto você é capaz
Te esperarei para dormir toda noite
E te desejarei com a mesma força da primeira vez
Te beijarei a cada chegada ou saída
Lembrando da minha vontade de te ter ao meu lado
Nunca te cobrarei atos infundados
Nem palavras sem sentido
Te decepcionarei algumas vezes
E te lembrarei que às vezes escapo do baralho

Te levarei café na cama
Acharei graça nos teus olhos sonolentos
Apreciarei teu cabelo empinado

Te olharei da forma que gostas
Encolherei meus ombros
Sorrirei largamente
Farei as caretas que já são tuas também

Se te ferir, reconhecerei meu erro
Se te chatear, pedirei desculpas
Se me desejares, ali estarei

♪ 'Só enquanto eu respirar'. ♫

sábado, 29 de agosto de 2009

Conto de fadas

'Era uma vez...'

Lembro da expectativa de esperar o voo chegar de Porto Alegre. Meu coração mal cabia dentro do peito, eu tremia feito louca e minhas mãos frias como duas pedras de gelo. Eu, já atrasada, não conseguia nem sair do carro.

Mais um cigarro.

Ao entrar no hall, já pude vê-lo sentado, com uma xícara de café à sua frente, conforme eu pedi. Pensei em chegar por detrás dele e falar muitas coisas. Só consegui chegar. Ele abaixou a cabeça e olhou para os meus pés, subindo o olhar bem devagar e levantou-se. Sorriu.

O abraço mais apertado que já pude dar. O ombro que acolheu minha face. O beijo mais macio que provei. Foram, com certeza, três dos melhores dias da minha vida.

O triste é a partida, mas era necessária. Os aviões ficaram para trás. Atravessei a rua, lembrei do meio-fio. Depois, uma sensação estranha de que eu tinha esquecido algo me tocou a alma, mas eu não conseguia lembrar o que era, só sei que era uma sensação parecida com saudade. Sim, eu sinto saudade.

Ele me levou o que eu tenho de mais precioso. E agora, vem me devolver.

Os olhos que me encantam, o sorriso que me motiva, a voz que me acalma e o toque que me seduz. A tatuagem que, ele não sabe, mas é minha.

Ele, meu. Eu, dele. E felizes para sempre.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Love is a temple. Love, the higher law.

Bono sabe das coisas!



♪ Did I ask too much, more than a lot?
You gave me nothing, now it's all I got
(.)
You ask me to enter, but then you make me crawl
And I can't be holding on to what you got
When all you got is hurt ♫



Não conhece a letra? Clica aqui, ó.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Bah!

Não adianta mesmo. Dar murro em ponta de faca só fode com a minha mão, e a faca continua ali: fria e afiada. Só quero ver a chiadeira na hora em que eu entortar essa faca! Minha mão cicatriza, mas o aço fica marcado.




Ai, quer saber? Vou depilar a perna com pinça que eu ganho mais.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O fim

“O que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer
(.)
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais”

Você olha para a parede branca à sua frente, vira a cabeça para a esquerda, olha a porta marrom gasta do armário; agora vira para o lado direito e não vê o céu estrelado e a copa da árvore junto à janela. Agora olha de novo para a frente, para o futebol na TV (que nunca te interessou) pendurada na parede. Você respira com dificuldade enquanto espera pela fisioterapeuta e, antes dela, o copo de suplemento. Você aumenta o volume da TV para ouvir melhor o jogo de futebol, 'seu companheiro das quartas à noite', e deixa de lado os diversos livros que jamais acabará de ler.

Você tem a alma transtornada e reclama que não gosta de canja de galinha. Reclama dos médicos, dos familiares, da salada de frutas. Você não quer morrer, mas começa a desconfiar de que não está melhorando e que talvez não se recupere mais, mas faz com que essa ideia passe rápido. O futebol ajuda nisso.

Passam os dias, algumas vezes eu passo pela sua casa. Vou viajar. Vou dar um novo rumo à minha vida, vou me lembrar que sou, também, mãe e namorada. Você ficará com meu irmão como sempre tem sido, o tempo todo. Você olha para mim e suas últimas palavras, balbuciadas sob a dificuldade respiratória, são 'não me abandone aqui sozinha'.
Fico com raiva, quero berrar que a mãe que você foi não lhe dá o direito de me dizer isso e que ficar na sua casa com o cheiro de urina, doença e morte que você trouxe é uma tortura. Mas me controlo e respondo, calmamente, que você não está abandonada, que terá companhia o tempo todo, e que domingo à noite estarei de volta.

Eu estou triste, sim. A morte é definitiva, e saber que ela anda nos rondando me assusta.

Na lembrança mais antiga que tenho com você, eu estou andando com você de mãos dadas na rua, à caminho da escola, debaixo de um guarda-chuva que nos protegia de uma fina garoa. Naquele dia eu só queria ir com o meu guarda-chuva pra escola, e lembro que essa história acabou comigo faltando à escola, deitada na cama chorando. Eu tinha marcas pelo corpo e não tinha muito menos que 4 anos. A partir daí, sua figura materna seria para mim uma quase permanente ausência.

Enquanto vivi dependendo de você também tive um dos períodos mais difíceis que atravessei, que vejo agora como uma densa, escura e turbulenta nuvem. Você foi ausente por mais de 20 anos e agora exige canja de galinha, atenção e amor? Depois daquela conversa em que você pediu perdão pela mãe que foi, e eu perdoei [ambas fingindo ser sinceras], aconteceria, quem sabe, um milagre? Você seria capaz de deixar o egoísmo de lado e olharia para os filhos, para a neta, para as pessoas em volta? Você conseguiria, além de exigir tudo para si, doar-se um pouco, apesar da doença? Você e eu, no fundo, sempre soubemos que não. Você tem uma alma muito, muito atormentada. E, se antes havia pelo menos a casca de uma mulher pequena, esforçada e com alguma beleza, agora a doença apodreceu esta casca. Há apenas o céu estrelado com a árvore na janela, o futebol, o cheiro de urina, doença e morte.

É assim que termina.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tá. Surtei.

Putaqueopariuvaitomanucuseufilhodaputavaicheirarbucetapraverseébomporqueeujátôdesacobemcheioenemligosealguémvaientenderounãomaseusóprecisoquebrarumaslouçasarrebentarumasportassofreralgumasfraturasexpostasporqueassimnãodáeunãosoudeferronemvocêentãopraquêcomplicartantoporqueascoisastemqueserassimtãodifíceissaudadedosmeusdezesseisanosnãotinhaqueesquentaracabeçacomnadaeagoraeutôcansadadessavidadeadultinhasermãetrabalharprofessorardonadecaseareaindaterqueaguentarosproblemaseasreclamaçõesdosoutrosqueeutôpoucomefudendoeopagamentoquenãocaiuodinheiroquetáacabandoaviagemqueeuqueroevoufazeraamigaquevemficarcomigoonamoradoquevemficarcomigotodomundovemficarcomigoequemcuidademimmeusantodeus?



TPM é uma merda.


[Re]Começo

Toda vez que algo tem um fim é dolorido. Dói mudar, dói fazer de novo. Dói encarar os erros.

Mas o importante nunca se deixa apagar. Aquilo que realmente importa continua ali, intocado, imaculado.

[Re]Comecei.

Deixei de ser quem eu era. Incrível como uma morte é tão dolorosa, mas meu luto acabou. Estou renascida e revigorada. E tudo aquilo que realmente interessa renasceu, ainda mais forte. Sem medos, sem dúvidas, sem reentrâncias.

Só eu e meu sentimento.

Precisava passar por este velório para que estivesse pronta para as mudanças que estão por vir. E um novo espaço para que eu possa me dissecar era necessário. Uma nova casa, que não será divulgada. Quem chegar aqui chegará por seus próprios méritos [ou curiosidade, vai saber].

Em duas semanas deixo a máscara da mãe-solteira-forte-independente para vestir minha alma, para exercer novos papéis. Continuarei sendo a mãe, mas passarei a ser um tipo contemporâneo de esposa.

Volto a sorrir, como se debutasse. E, a duas semanas do meu aniversário e da mudança mais esperada da minha vida, percebo o quão importantes as pessoas envolvidas são.

Pensei que era o fim, mas era apenas o início.

E que venha em paz. O que o futuro trouxer.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Tentando renascer das cinzas

Como se faz para as coisas voltarem a ser como sempre foram e deveriam continuar sempre?

Uma palavra mal colocada, uma história mal contada, uma mentira repetida. Sentimentos tão coloridos outrora, agora se misturam em nuances de sépia. Enegrecidos, doloridos, pesados.

A falta.

Falta carinho, atenção, vontade. Tudo aquilo que eu via no outro fazem parte de mim agora. Mais do que nunca, não tenho dúvidas. Estou seca, oca. Já não sinto como antes - e como eu gostaria de voltar a sentir! Voltar a ver graça nas pequenas coisas, sorrir com músicas, sentir saudade.

Já não sinto. Quase nada.

Gostar virou hábito. Estar junto, desejar uma vida a dois... um desafio. Atualmente sinto mais medo de ficar sozinha do que qualquer outro sentimento. Feio, mas é a realidade. Me olho no espelho e não me reconheço, não tenho mais o mesmo cheiro nem a mesma textura. Meu coração mudou o motivo de querer: agora quero porque é difícil. Mais uma conquista, mais um risco no revólver.

É triste.

Depois de sentir as maravilhas de amar e ser amada, só restou o pó. Pó seco e denso, daquele que entope as narinas e resseca o pulmão.

Não restou quase nada.

Ainda rezo todas as noites para ser salva. Uma salvação incoerente, resquícios de um desejo.

Onde eu fui parar?

Me salve, nos salve... antes que seja tarde. Ou já é?

O que não se pede

Porra. Em que encrenca eu fui me meter. Mas não dava pra me manter impassível diante daqueles olhos, daquele sorriso. Da jogadinha que ela faz com a cabeça e morde a boca. E me deixa louco.
Sério, não consigo entender o que se passa pela cabeça dela. Será que ela é bipolar? Culpa da TPM? E como vai ser depois?
O que ela antes achava engraçadinho e a fazia sorrir com aqueles dentes grandes agora a deixa carrancuda. Quase consigo sentir a mágoa dela. Quase sólida. Como aquelas pernas.
Ela diz que tem muita coisa. E não se abre. Não sei ler pensamentos, ainda não fiz o curso básico de telepatia. Caralho, mulheres são todas complicadas! E eu ainda insisto nela. Guria egoísta.
Ela não deve perceber tudo o que faço pra ficar com ela. Aliás, percebe e aprecia. E me manipula, filha da puta. Puta mesmo, a mãe dela é uma farsa.

Ela é uma farsa.

Fico esperando que ela diga o que acontece, o que tanto a incomoda. Ah! Mas é claro! Eu sei o que a incomoda, no fundo eu sei. Mas não aceito. Não admito. Não enxergo com os olhos dela, por isso não sei o que ela vê de tão errado.
Ela quer mais atenção. Tá, TPM e mulher carente é uma combinação explosiva. De novo. Todo mês é a mesma palhaçada. E ela ainda quer mais atenção. Não sei em que ponto a cabecinha maluca dela chegou que ela não enxerga que a minha atenção tem sido toda pra ela nos últimos meses. Até quando ela está longe, eu penso nela. E fico de pau duro quase sempre. Vaca.
Ela anda me vigiando, checando meus passos. Tenho certeza disso. Neurótica. E ainda culpa os outros, dizendo que ela não procurou. Mentirosa. Não vejo nenhum problema em revisitar o passado. Vai que alguém fala de mim lá? Faz bem pro ego, porra, e ela sabe disso. Ela faz a mesma coisa.
Será que o problema é o ego e o meu passado? Louca. Ela é egoísta, só pensa nela. Só ela pode ter maus momentos. Maluca. E bunduda.
Olho pela janela. O mundo me espera, ela me espera, mas eu preciso ter calma. Cometer um erro agora seria imperdoável. Meu maior erro é querer tudo ao mesmo tempo, isso me faz querer o irreal. Mas ela é real. E está aqui.
Disse que vou fazer tudo. Café na cama, flores, sacanagens. E ela não mexia um músculo, só balançava a cabeça.
O que foi que eu [não] fiz?
Foda-se, vou dormir. Gostosa.

Foda-se

Cansei de ser a mulher carente, saudosa, apaixonada. Cansei de ser atenciosa, amorosa, carinhosa, compreensiva. Cansei de guardar tudo aquilo que eu penso - e sinto - só pra mim. Cansei de ser uma bucetinha que dá gostoso, que não tem pudores na cama. No fim do mês, ninguém paga as minhas contas - e no fim da noite, eu amanheço sozinha.

Volto a ser a mulher independente, que quer mais é que o mundo exploda e que pouco se importa com a opinião alheia. Que sai à noite em busca de uma companhia fútil e efêmera. Que quer mais é que os homens continuem sendo meros objetos descartáveis, e se eles tem sentimentos, o problema é deles, não meu.

Eu sou isso, nua e crua.

E isso, nenhum homem tem culhões de encarar.

** O Chiclé de Menta sai do ar hoje à noite. Se tem algum texto que goste, fique à vontade pra copiar descaradamente. Não faz sentido eu continuar mantendo este espaço, prefiro me encarar com dignidade na frente do espelho todos os dias.