Foi o intervalo entre o aniversário dele e o meu. As mesmas datas, a que me descobri grávida e a que me senti plena e segura.
O mesmo período que levou para eu finalmente me sentir empoderada e pronta pra uma maternidade solo.
Do dia de amanhã ninguém sabe, então me contento por hoje ter a dádiva de sentir meu bebê mexer-se todos os dias, com a satisfação de vê-lo nos próximos exames e a ansiedade de deixar tudo pronto para a chegada dele.
Serei pra ele o que fui para minha primeira filha e muito mais - agora tenho experiência em fazer minha presença e minha atenção valerem por pai e mãe!
Quero apenas que ele se aprochegue com calma e se prepare com parcimônia no seu forninho, que aqui fora estamos esperando-o - uma mãe que chora de alegria a cada movimento dele e uma irmã que já o ama mais que tudo no mundo!
terça-feira, 3 de setembro de 2019
segunda-feira, 8 de julho de 2019
A whole new world
Preciso ser sincera com você, eu não me arrependo de nós. Tenho uma saudade para sentir, uma história para contar e posso afirmar para o mundo que vivi um amor como o nosso.
Saiba que você teve o privilégio de eu ter te amado.
Saiba que você teve o privilégio de eu ter te amado.
segunda-feira, 6 de maio de 2019
Lego house
Quando você começou a se entregar, eu já tinha começado a te receber. Não era como se fosse coisa de um só, era de dois. Um mais um. As tuas mãos pareciam encaixar nas minhas como peças de lego nas mãos de crianças que já conseguem entender como montar da melhor maneira, de acordo com o momento. Nesse instante, as peças se transformavam em uma escada e por isso a gente dava as mãos: para ir subindo juntos. Quando você ia se entregando, eu ia te recebendo do mesmo modo. Em alguns dias mais escuros você até conseguia ver alguns medos meus. E você tinha vontade de me proteger de tudo.
Mal sabia eu que você só não poderia me proteger um dia - e que eu pediria por isso - de todo o seu amor.
Eu te quis mais do que tudo no mundo. Mas você se engana se acreditar que eu desejei somente você. Eu quis nós dois. Porque nós éramos incríveis juntos! A gente poderia alcançar qualquer coisa. Viajar o mundo, aprender mais e mais línguas, jantar em Paris e almoçar em São Paulo. E planejar a próxima viagem para Nova York logo ao chegar.
Mal sabia eu que nossas viagens seriam em poltronas e destinos completamente distintos.
Apertando os cintos diante das turbulências que são normais a quaisquer casais, eu tentei te segurar nos braços para que você não pudesse cair muito longe e se machucar. Mas você queria voar e mudar de lugar, talvez porque o barulho perto da asa estava sendo ruim. Ou talvez você quisesse a sua própria atmosfera basilar diante da pressão interna do nosso voo. Pressões às vezes que eram suas, às vezes minhas. Como crianças a gente ia tentando se encontrar e explorar as melhores maneiras de fazer funcionar. De andar no avião sem cair, segurando as poltronas ao se deslocar, sob olhares atentos de todos.
Talvez tenha sido em uma dessas andanças que eu vi outro rosto. Outros. E penso que tenha visto algum tipo de luz e de brincadeira que não encontraria na nossa bagagem.
Eu não sei explicar.
Só sei que a partir daí os nossos legos se tornaram horizontais, como estradas. De cores, formas e direções diferentes. Eu quis, como fala o Ed Sheeran, te construir uma "Lego house". Acabei compreendendo somente que cada um teria a sua. Seria coisa de um só a partir dali.
Uma coisa ninguém pode negar: existe uma peça, no mínimo, com cada um de nós em algum lugar. As pessoas dizem que esse tipo de peça perdida a gente só percebe quando pisa, machuca e então olhamos pra baixo e a notamos. E que dói.
Não mais.
É questão de cuidado e respeito guardar no lugar correto, acima da linha dos olhos. Olhando sempre pra frente ou pra cima.
Mal sabia eu que você só não poderia me proteger um dia - e que eu pediria por isso - de todo o seu amor.
Eu te quis mais do que tudo no mundo. Mas você se engana se acreditar que eu desejei somente você. Eu quis nós dois. Porque nós éramos incríveis juntos! A gente poderia alcançar qualquer coisa. Viajar o mundo, aprender mais e mais línguas, jantar em Paris e almoçar em São Paulo. E planejar a próxima viagem para Nova York logo ao chegar.
Mal sabia eu que nossas viagens seriam em poltronas e destinos completamente distintos.
Apertando os cintos diante das turbulências que são normais a quaisquer casais, eu tentei te segurar nos braços para que você não pudesse cair muito longe e se machucar. Mas você queria voar e mudar de lugar, talvez porque o barulho perto da asa estava sendo ruim. Ou talvez você quisesse a sua própria atmosfera basilar diante da pressão interna do nosso voo. Pressões às vezes que eram suas, às vezes minhas. Como crianças a gente ia tentando se encontrar e explorar as melhores maneiras de fazer funcionar. De andar no avião sem cair, segurando as poltronas ao se deslocar, sob olhares atentos de todos.
Talvez tenha sido em uma dessas andanças que eu vi outro rosto. Outros. E penso que tenha visto algum tipo de luz e de brincadeira que não encontraria na nossa bagagem.
Eu não sei explicar.
Só sei que a partir daí os nossos legos se tornaram horizontais, como estradas. De cores, formas e direções diferentes. Eu quis, como fala o Ed Sheeran, te construir uma "Lego house". Acabei compreendendo somente que cada um teria a sua. Seria coisa de um só a partir dali.
Uma coisa ninguém pode negar: existe uma peça, no mínimo, com cada um de nós em algum lugar. As pessoas dizem que esse tipo de peça perdida a gente só percebe quando pisa, machuca e então olhamos pra baixo e a notamos. E que dói.
Não mais.
É questão de cuidado e respeito guardar no lugar correto, acima da linha dos olhos. Olhando sempre pra frente ou pra cima.
sexta-feira, 22 de março de 2019
Perdoando o Adeus
Nos despedimos aos poucos, quase sem perceber.
O abraço fica mais forte.
O olhar, demorado.
O silêncio prevalece entre as conversas.
Percebemos algo mudando e não entendemos o quê.
A gente se despede desse jeito.
Não se fala mais como se tivesse todo o tempo do mundo.
Citamos lembranças antigas.
Memórias engatadas.
Um dar-se para nunca mais.
Um testamento.
Ninguém parte sem arrumar a casa antes.
O abraço fica mais forte.
O olhar, demorado.
O silêncio prevalece entre as conversas.
Percebemos algo mudando e não entendemos o quê.
A gente se despede desse jeito.
Não se fala mais como se tivesse todo o tempo do mundo.
Citamos lembranças antigas.
Memórias engatadas.
Um dar-se para nunca mais.
Um testamento.
Ninguém parte sem arrumar a casa antes.
terça-feira, 5 de março de 2019
Post scriptum
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Você fez com que eu acreditasse de novo, fez com que o mundo se tornasse um lugar bonito - e hoje eu acredito que as pessoas podem sim ser boas e melhores a cada dia. Você me deu perspectivas, expectativas e sonhos.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Eu não pude mais deixar minhas perspectivas, expectativas e sonhos, os mesmos que você me deu, em segundo plano. Eu queria que você fosse meu abrigo e minha esperança, mas me perdi de mim, deixei de me reconhecer, deixei de me valorizar: me tornei medo e apreensão. Medo e apreensão que tornaram-se ainda mais reais na última vez em que nos falamos.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Eu quis te amar e te fazer feliz, te fazer sentir completo e preenchido com meu amor. Nós éramos raros. Nós éramos únicos.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Tenho me esforçado de forma sobre-humana para resistir ao hábito de te mandar mensagens ou telefonar para falar do meu dia e saber do seu, para compartilhar as amarguras do trabalho, as vitórias do amor e os tropeços da vida. Não é apenas perder o amor da minha vida, é também perder meu companheiro e melhor amigo.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Acima de tudo, desejo nossa felicidade - a sua e a minha. Passamos por muita coisa nessa vida, perdas, obstáculos e decepções. Somos merecedores de felicidade.
Um dia hei de deixar de sentir sua falta, todos os dias por todo o tempo.
Um beijo, te amo.
Você fez com que eu acreditasse de novo, fez com que o mundo se tornasse um lugar bonito - e hoje eu acredito que as pessoas podem sim ser boas e melhores a cada dia. Você me deu perspectivas, expectativas e sonhos.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Eu não pude mais deixar minhas perspectivas, expectativas e sonhos, os mesmos que você me deu, em segundo plano. Eu queria que você fosse meu abrigo e minha esperança, mas me perdi de mim, deixei de me reconhecer, deixei de me valorizar: me tornei medo e apreensão. Medo e apreensão que tornaram-se ainda mais reais na última vez em que nos falamos.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Eu quis te amar e te fazer feliz, te fazer sentir completo e preenchido com meu amor. Nós éramos raros. Nós éramos únicos.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Tenho me esforçado de forma sobre-humana para resistir ao hábito de te mandar mensagens ou telefonar para falar do meu dia e saber do seu, para compartilhar as amarguras do trabalho, as vitórias do amor e os tropeços da vida. Não é apenas perder o amor da minha vida, é também perder meu companheiro e melhor amigo.
Sinto sua falta. Todos os dias, todo o tempo.
Acima de tudo, desejo nossa felicidade - a sua e a minha. Passamos por muita coisa nessa vida, perdas, obstáculos e decepções. Somos merecedores de felicidade.
Um dia hei de deixar de sentir sua falta, todos os dias por todo o tempo.
Um beijo, te amo.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Pedido de vida inteira
Quer casar comigo? Casar de verdade. Todo mundo vai saber. Todo mundo vai ver. Casar de verdade. Ir ao cinema de mão dada, ajudar a sua avó a fazer as compras no mercado, pedir pra você acompanhar a Ana pro trabalho quando eu estiver enrolada na faculdade. Casar de verdade. Deixar bilhetinho pela casa, na sua carteira, na sua calça, te fazer café da manhã, preparar sua marmita, lavar suas roupas, deixar meu cheiro em tantas outras, pedir pra comprar leite - desnatado - na volta pra casa... tudo de mais ridículo publicamente que um casamento tem. Casar das pessoas não aguentarem mais de tanto que eu falaria em você. Quer?
Eu prometo rir pras suas milhões de fotos com cara engraçada, prometo não ficar irritada quando você não conseguir me dar instruções simples de como chegar em um lugar. Prometo nunca mais pedir pra ler suas coisas antigas, nem reclamar que você trabalha na sua folga, nem que você nunca consegue decidir o que a gente vai comer – e quando eu decido, você quer saber em detalhes o que eu escolhi e como vou cozinhar. Prometo não te ligar de manhã cedo, não ficar chiando de você silenciar suas notificações nem reclamar que você está sempre atrasado para nossos compromissos.
Casa comigo? Faz coisas idiotas de casal comigo, como entrar juntos na cabine de foto, sair correndo no meio da rua e se abraçar ou ligar pro seu trabalho e pedir pra falar com você só pra falar que eu te amo. Quer casar comigo? Casar de já escolher nome dos filhos, raça dos cachorros, se eles serão corinthianos ou gremistas (tem maluco pra tudo!). Casar de querer saber das vergonhas de adolescente, de jogar videogame com o irmão e de botar a sua foto como papel de parede do meu celular, e acabar com a bateria dele quando eu tiver com saudade só de ficar olhando pra você.
Eu prometo que a gente vai ser como a gente queria ser lá atrás, nos cafés da manhã nas padarias. Prometo que vai ser tudo exatamente como a gente planejava, timtim por timtim. Eu prometo que faço massagem nos seus pés, passo a mão nas suas costas e faço carinho quando você tiver com sono. Eu prometo que vou ser uma pessoa diferente, que vou ser a pessoa que você merece que eu seja, que você merece ter ao seu lado. Prometo que não vou mais cometer os erros que eu já cometi – e que você já me perdoou inúmeras vezes. Prometo que vou fazer você se sentir o homem mais amado do mundo.
Casa comigo?
Eu prometo rir pras suas milhões de fotos com cara engraçada, prometo não ficar irritada quando você não conseguir me dar instruções simples de como chegar em um lugar. Prometo nunca mais pedir pra ler suas coisas antigas, nem reclamar que você trabalha na sua folga, nem que você nunca consegue decidir o que a gente vai comer – e quando eu decido, você quer saber em detalhes o que eu escolhi e como vou cozinhar. Prometo não te ligar de manhã cedo, não ficar chiando de você silenciar suas notificações nem reclamar que você está sempre atrasado para nossos compromissos.
Casa comigo? Faz coisas idiotas de casal comigo, como entrar juntos na cabine de foto, sair correndo no meio da rua e se abraçar ou ligar pro seu trabalho e pedir pra falar com você só pra falar que eu te amo. Quer casar comigo? Casar de já escolher nome dos filhos, raça dos cachorros, se eles serão corinthianos ou gremistas (tem maluco pra tudo!). Casar de querer saber das vergonhas de adolescente, de jogar videogame com o irmão e de botar a sua foto como papel de parede do meu celular, e acabar com a bateria dele quando eu tiver com saudade só de ficar olhando pra você.
Eu prometo que a gente vai ser como a gente queria ser lá atrás, nos cafés da manhã nas padarias. Prometo que vai ser tudo exatamente como a gente planejava, timtim por timtim. Eu prometo que faço massagem nos seus pés, passo a mão nas suas costas e faço carinho quando você tiver com sono. Eu prometo que vou ser uma pessoa diferente, que vou ser a pessoa que você merece que eu seja, que você merece ter ao seu lado. Prometo que não vou mais cometer os erros que eu já cometi – e que você já me perdoou inúmeras vezes. Prometo que vou fazer você se sentir o homem mais amado do mundo.
Casa comigo?
domingo, 9 de setembro de 2018
A Gente Aprende
Chega uma hora em que a gente aprende.
A gente aprende que o mundo não pára para recolhermos nossos cacos, na verdade ele nos quebra cada vez mais e mais. Cabe a nós procurar nos reerguer o quanto antes e deixar os cacos para trás.
Aprende que por mais que a gente se importe e se preocupe com algumas pessoas, a recíproca raramente é verdadeira. Não temos controle sobre o outro, então devemos aceitar que cada um segue seu caminho da melhor forma possível - e, se isso às vezes nos machuca, o poder de decisão de continuar ao lado é unicamente nosso.
Aprendemos que por mais empáticos que sejamos, os outros muitas vezes não tem essa capacidade e por isso nos parecem egoístas. O mundo não é cor-de-rosa e feito de algodão-doce; na verdade ele é cinza e cruel, e as pessoas podem também ser cruéis.
Ao final do dia, mesmo com aqueles que amamos deitados em nosso peito, somos todos ilhas. Que mesmo acompanhados ou no meio de uma multidão, somos todos raros e únicos. E sozinhos. A gente aprende que nossas dores e nossos amores são apenas nossos, não pertencem a mais ninguém e podemos ser injustos ao atribui-los a outras pessoas. Injustos com os outros e consigo.
Chega uma hora que a gente aprende que somos apenas pó.
Chega.
A gente aprende que o mundo não pára para recolhermos nossos cacos, na verdade ele nos quebra cada vez mais e mais. Cabe a nós procurar nos reerguer o quanto antes e deixar os cacos para trás.
Aprende que por mais que a gente se importe e se preocupe com algumas pessoas, a recíproca raramente é verdadeira. Não temos controle sobre o outro, então devemos aceitar que cada um segue seu caminho da melhor forma possível - e, se isso às vezes nos machuca, o poder de decisão de continuar ao lado é unicamente nosso.
Aprendemos que por mais empáticos que sejamos, os outros muitas vezes não tem essa capacidade e por isso nos parecem egoístas. O mundo não é cor-de-rosa e feito de algodão-doce; na verdade ele é cinza e cruel, e as pessoas podem também ser cruéis.
Ao final do dia, mesmo com aqueles que amamos deitados em nosso peito, somos todos ilhas. Que mesmo acompanhados ou no meio de uma multidão, somos todos raros e únicos. E sozinhos. A gente aprende que nossas dores e nossos amores são apenas nossos, não pertencem a mais ninguém e podemos ser injustos ao atribui-los a outras pessoas. Injustos com os outros e consigo.
Chega uma hora que a gente aprende que somos apenas pó.
Chega.
segunda-feira, 9 de julho de 2018
Da entrega
Oi, Gaudério. Tudo bem?
Tenho pensado bastante em você ultimamente. Não porque eu te queira de volta, ainda mais depois de tanto tempo, mas porque o que a gente teve foi muito especial. O que a gente teve me faz acreditar no Amor.
Meu sentimento por você não era só de sentir; era palpável. Eu conseguia sentir fisicamente meu corpo te amando, por inteiro, por completo. Eu era capaz de sentir minha pupila dilatando ao te ver, meu rosto enrubescendo, meu coração bater descompassado. Eu sentia que aquilo tudo não cabia em mim e que a qualquer momento eu teria que me metamorfosear para conseguir lidar com algo tão intenso e tão grandioso como esse Amor.
Ninguém no mundo me conheceu tanto quanto você. Você sabia os meus medos mais ridículos, os meus sonhos mais babacas, minhas vontades mais infantis. Você era capaz de passar horas jogando videogame - comigo ou apenas para que eu pudesse assistir os jogos que eu não conseguia jogar. Você me acompanhou em eventos que não gostaria de estar para que pudesse participar do meu mundo, e me levou para o seu. Nossas piadas não precisavam de preparação, nossos olhares já se entendiam. Nossos olhares tanto se entendiam que você foi o único a compreender meu olhar perdido com os olhos mareados, o único a respeitar esses momentos e o único que sempre soube o que fazer nessas horas.
Você sempre sabia o que fazer.
Você sabia como me acalmar e como lidar com as minhas crises. Você sentia nossa parceria e nosso companheirismo assim como eu, e isso só nos fazia maiores e melhores a cada dia.
Suas tiradas engraçadas, caretas e filosofias de boteco ainda são repetidas por aqui, depois de tanto tempo. As músicas que escolhemos para nosso casamento ainda ressoam através de mim, e às vezes ainda solto um sorriso de canto de satisfação.
Eu amo você. Não como o homem pelo qual me apaixonei perdidamente, mas pela pessoa que você foi e é. Você foi de uma importância inquestionável. Você me ensinou o que é amar e ser amada, que é possível jogar tudo pro alto e recomeçar tantas vezes quanto necessário. Que é possível se reinventar a cada tropeço.
Eu espero amar outra pessoa desta mesma forma que te amei. Se não, a vida é muito injusta de nos permitir vivenciar tal experiência somente uma vez! Quero voltar a sentir esse Amor que tudo consome e que nada repele, quero me entregar, quero me permitir.
Obrigada por ter me dado a chance de experimentar algo tão magnífico, por me fazer acreditar que as coisas valem a pena e o esforço.
Torce por mim daí, eu torço por ti daqui.
Tua Prenda.
Edit: coincidência ou não, hoje fazem nove anos.
Tenho pensado bastante em você ultimamente. Não porque eu te queira de volta, ainda mais depois de tanto tempo, mas porque o que a gente teve foi muito especial. O que a gente teve me faz acreditar no Amor.
Meu sentimento por você não era só de sentir; era palpável. Eu conseguia sentir fisicamente meu corpo te amando, por inteiro, por completo. Eu era capaz de sentir minha pupila dilatando ao te ver, meu rosto enrubescendo, meu coração bater descompassado. Eu sentia que aquilo tudo não cabia em mim e que a qualquer momento eu teria que me metamorfosear para conseguir lidar com algo tão intenso e tão grandioso como esse Amor.
Ninguém no mundo me conheceu tanto quanto você. Você sabia os meus medos mais ridículos, os meus sonhos mais babacas, minhas vontades mais infantis. Você era capaz de passar horas jogando videogame - comigo ou apenas para que eu pudesse assistir os jogos que eu não conseguia jogar. Você me acompanhou em eventos que não gostaria de estar para que pudesse participar do meu mundo, e me levou para o seu. Nossas piadas não precisavam de preparação, nossos olhares já se entendiam. Nossos olhares tanto se entendiam que você foi o único a compreender meu olhar perdido com os olhos mareados, o único a respeitar esses momentos e o único que sempre soube o que fazer nessas horas.
Você sempre sabia o que fazer.
Você sabia como me acalmar e como lidar com as minhas crises. Você sentia nossa parceria e nosso companheirismo assim como eu, e isso só nos fazia maiores e melhores a cada dia.
Suas tiradas engraçadas, caretas e filosofias de boteco ainda são repetidas por aqui, depois de tanto tempo. As músicas que escolhemos para nosso casamento ainda ressoam através de mim, e às vezes ainda solto um sorriso de canto de satisfação.
Eu amo você. Não como o homem pelo qual me apaixonei perdidamente, mas pela pessoa que você foi e é. Você foi de uma importância inquestionável. Você me ensinou o que é amar e ser amada, que é possível jogar tudo pro alto e recomeçar tantas vezes quanto necessário. Que é possível se reinventar a cada tropeço.
Eu espero amar outra pessoa desta mesma forma que te amei. Se não, a vida é muito injusta de nos permitir vivenciar tal experiência somente uma vez! Quero voltar a sentir esse Amor que tudo consome e que nada repele, quero me entregar, quero me permitir.
Obrigada por ter me dado a chance de experimentar algo tão magnífico, por me fazer acreditar que as coisas valem a pena e o esforço.
Torce por mim daí, eu torço por ti daqui.
Tua Prenda.
Edit: coincidência ou não, hoje fazem nove anos.
quarta-feira, 27 de junho de 2018
A falta que a falta faz
Eu sinto. Sinto tanto que nem sei, que nem sou capaz de entender ou absorver.
Sempre estou cercada de gente e ainda assim me sinto sozinha. Um ponto fora da curva, uma supernova segundos antes de explodir.
Aquela velha sensação de que ninguém se importa.
Alguém pra conversar, pra falar dos acontecimentos cotidianos, daquilo que me alegra e me aflige. A solidão que é não sentir conforto em compartilhar, em dividir, em tirar o peso. A solidão que se sente por não ter alguém para apenas se sentar ao lado, ter a mão acariciada e o abraço recebido; para se estar em silêncio ou ouvir palavras banais de consolo.
A solidão em não se ter um porto seguro.
Sempre estou cercada de gente e ainda assim me sinto sozinha. Um ponto fora da curva, uma supernova segundos antes de explodir.
Aquela velha sensação de que ninguém se importa.
Alguém pra conversar, pra falar dos acontecimentos cotidianos, daquilo que me alegra e me aflige. A solidão que é não sentir conforto em compartilhar, em dividir, em tirar o peso. A solidão que se sente por não ter alguém para apenas se sentar ao lado, ter a mão acariciada e o abraço recebido; para se estar em silêncio ou ouvir palavras banais de consolo.
A solidão em não se ter um porto seguro.
domingo, 10 de junho de 2018
15 Atitudes Para Me Ajudar a Atravessar uma Crise de Ansiedade
1) Saiba que minhas emoções estão à flor da pele e não conseguirei explicar o porquê. Então, por favor, não se desespere ou se irrite comigo.
2) Me ajude a focar naquilo que me faz sentir feliz.
3) Exercícios de respiração me deixarão frustrada mas são essenciais. Tente fazer com que eu sincronize minha respiração com a sua.
4) Faça sugestões delicadas de coisas que poderíamos fazer juntos para distrair meu desespero. Não me diga o que preciso ou devo fazer. E escute quando eu disser não a algo.
5) Relembre-me de que isso já aconteceu comigo e que dessa vez também irá passar! Sempre passa, mas é extremamente desgastante quando está acontecendo, então talvez me conte alguns fatos divertidos sobre mim ou de nossa vida juntos que podem me fazer sorrir.
6) Alguns goles de água podem ajudar, mas não me diga que eu preciso beber porque ACREDITE EM MIM – eu sinto como se fosse vomitar.
7) Não permita que eu ingira álcool. Fico totalmente limitada porque minhas reações são potencializadas.
8) Por favor seja muito legal comigo. Eu não estarei me sentindo como mim mesma, estarei envergonhada, sentindo raiva e depois me sentirei culpada por fazer você ter que passar por isso. Então por favor, não fique frustrado comigo.
9) Se nós pudermos sair de onde estivermos, me leve pra algum lugar que me traga conforto.
10) Às vezes, um longo e tranquilo abraço irá me ajudar a fazer com que eu me sinta segura.
11) Eu evitarei contato amistoso, físico ou emocional. Force essa barra, por dentro tudo o que preciso é que você demonstre que está ao meu lado.
12) Se a situação estiver muito ruim coloque minha filha no celular para falar comigo.
13) Não me diga para lutar contra isso – em vez disso, deixe com que passe através de mim. Quanto mais eu tentar contornar ou controlar o problema, pior será.
14) Seja empático comigo. Você pode não entender o que está acontecendo, mas estará me entendendo.
15) Assim que passar (tipo horas depois), converse comigo sobre o que aconteceu. Como foi? O que podemos fazer na próxima vez? Como podemos evitar?
2) Me ajude a focar naquilo que me faz sentir feliz.
3) Exercícios de respiração me deixarão frustrada mas são essenciais. Tente fazer com que eu sincronize minha respiração com a sua.
4) Faça sugestões delicadas de coisas que poderíamos fazer juntos para distrair meu desespero. Não me diga o que preciso ou devo fazer. E escute quando eu disser não a algo.
5) Relembre-me de que isso já aconteceu comigo e que dessa vez também irá passar! Sempre passa, mas é extremamente desgastante quando está acontecendo, então talvez me conte alguns fatos divertidos sobre mim ou de nossa vida juntos que podem me fazer sorrir.
6) Alguns goles de água podem ajudar, mas não me diga que eu preciso beber porque ACREDITE EM MIM – eu sinto como se fosse vomitar.
7) Não permita que eu ingira álcool. Fico totalmente limitada porque minhas reações são potencializadas.
8) Por favor seja muito legal comigo. Eu não estarei me sentindo como mim mesma, estarei envergonhada, sentindo raiva e depois me sentirei culpada por fazer você ter que passar por isso. Então por favor, não fique frustrado comigo.
9) Se nós pudermos sair de onde estivermos, me leve pra algum lugar que me traga conforto.
10) Às vezes, um longo e tranquilo abraço irá me ajudar a fazer com que eu me sinta segura.
11) Eu evitarei contato amistoso, físico ou emocional. Force essa barra, por dentro tudo o que preciso é que você demonstre que está ao meu lado.
12) Se a situação estiver muito ruim coloque minha filha no celular para falar comigo.
13) Não me diga para lutar contra isso – em vez disso, deixe com que passe através de mim. Quanto mais eu tentar contornar ou controlar o problema, pior será.
14) Seja empático comigo. Você pode não entender o que está acontecendo, mas estará me entendendo.
15) Assim que passar (tipo horas depois), converse comigo sobre o que aconteceu. Como foi? O que podemos fazer na próxima vez? Como podemos evitar?
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Disputa
Sentir ciúme é natural. Faz parte de um momento de insegurança e entrega, quando percebemos o quanto somos suscetíveis e frágeis.
O que é antinatural é a crise que vem quando desbalanceamos o emocional e o racional.
Superestimamos o poder de atração.
Superestimamos a covardia.
Superestimamos a canalhice.
Subestimamos o sentimento.
Subestimamos o bem-querer.
Subestimamos o respeito.
Sentir ciúme é natural. Antinatural é o desequilíbrio. Só tememos no outro aquilo que somos capazes de fazer.
O que é antinatural é a crise que vem quando desbalanceamos o emocional e o racional.
Superestimamos o poder de atração.
Superestimamos a covardia.
Superestimamos a canalhice.
Subestimamos o sentimento.
Subestimamos o bem-querer.
Subestimamos o respeito.
Sentir ciúme é natural. Antinatural é o desequilíbrio. Só tememos no outro aquilo que somos capazes de fazer.
terça-feira, 20 de março de 2018
Centers of what I am of what remains
Eu te amo.
De uma forma diferente de todas as anteriores... mas qual amor é igual? Sempre haverão outras pessoas, outras histórias e outras experiências, afinal.
A diferença no amor que sinto por você é que ele é calmo e pacífico. Eu não havia sentido um amor que me trouxesse paz.
O amor que sinto por você é isso: paz.
Tranquilidade. Leveza.
Eu te juro que gostaria que nos reencontrássemos algum dia, amadurecidos, seguros e com sonhos e desejos em comum.
Serei sempre grata por termos cruzado nossos caminhos. Não há arrependimento, não há mágoa, não há qualquer sentimento ruim. Me conheci e me reconheci mais um pouco, e espero ter deixado um pouco de mim em você da mesma forma que carregarei um pouco de você comigo.
De uma forma diferente de todas as anteriores... mas qual amor é igual? Sempre haverão outras pessoas, outras histórias e outras experiências, afinal.
A diferença no amor que sinto por você é que ele é calmo e pacífico. Eu não havia sentido um amor que me trouxesse paz.
O amor que sinto por você é isso: paz.
Tranquilidade. Leveza.
Eu te juro que gostaria que nos reencontrássemos algum dia, amadurecidos, seguros e com sonhos e desejos em comum.
Serei sempre grata por termos cruzado nossos caminhos. Não há arrependimento, não há mágoa, não há qualquer sentimento ruim. Me conheci e me reconheci mais um pouco, e espero ter deixado um pouco de mim em você da mesma forma que carregarei um pouco de você comigo.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
Eu não quis um final pra gente
Imaginei que pudéssemos contornar cada desavença e cada discordância. Imaginei que fôssemos capazes de superar crises e distanciamentos.
Apesar de o meu discurso ter sido o oposto, eu quis sim uma casinha com cerca branca e dois cachorros.
Eu sinto tanto que me dói.
Apesar de o meu discurso ter sido o oposto, eu quis sim uma casinha com cerca branca e dois cachorros.
Eu sinto tanto que me dói.
domingo, 31 de dezembro de 2017
Contagem progressiva
Eu planejei tudo para dar um fim às coisas hoje. E a vida, como uma dama com uma luva de pelica, me bateu na cara quando eu já não tinha mais esperanças.
2017 foi um ano conturbado. Ouso dizer que está nos top 3 piores anos da minha vida.
Perdi o emprego que eu tanto amava. Magoei pessoas que me são caras, queridas e importantes. Me afastei da minha família de sangue. Fui abraçada pela depressão e vi o rosto da morte diariamente. Esperei sem vontade por um milagre.
O milagre que eu esperei me aconteceu.
Fui chamada de volta para a empresa que sempre me abraçou e me apoiou. Reconstruí minhas relações e conheci o perdão. Entendi que família de verdade é aquela que a gente escolhe e que nos acolhe. Ainda converso frequentemente com a tristeza mas já não sinto o fio gelado da morte.
O milagre que eu esperei me aconteceu.
Até ontem eu acreditei que este ano seria o fim. Agora acredito que ele veio e destruiu tudo para que eu possa me reinventar e colocar tudo em seu lugar.
2017 foi um ano conturbado. Ouso dizer que está nos top 3 piores anos da minha vida.
Perdi o emprego que eu tanto amava. Magoei pessoas que me são caras, queridas e importantes. Me afastei da minha família de sangue. Fui abraçada pela depressão e vi o rosto da morte diariamente. Esperei sem vontade por um milagre.
O milagre que eu esperei me aconteceu.
Fui chamada de volta para a empresa que sempre me abraçou e me apoiou. Reconstruí minhas relações e conheci o perdão. Entendi que família de verdade é aquela que a gente escolhe e que nos acolhe. Ainda converso frequentemente com a tristeza mas já não sinto o fio gelado da morte.
O milagre que eu esperei me aconteceu.
Até ontem eu acreditei que este ano seria o fim. Agora acredito que ele veio e destruiu tudo para que eu possa me reinventar e colocar tudo em seu lugar.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Contagem regressiva (-3)
Ontem estive conversando com alguém que já esteve em meu lugar. Claro que em outros contextos, porém com a mesma conclusão.
Eu não tinha parado pra pensar se minha decisão é por falta de esperança ou para atingir outras pessoas, e minha conclusão é que é um pouco de cada. A desesperança está cada vez mais encravada em mim, me cutuca e me corrói.
Desesperança.
Desprezo.
Invisibilidade.
Desimportância.
Há algo sobre nós mesmos que ignoramos. Algo que negamos existir até ser tarde demais para se fazer algo a respeito. É o único motivo pelo qual levantamos toda manhã. O único motivo pelo qual aguentamos o sangue, o suor e as lágrimas. É porque queremos que as pessoas saibam o quanto somos bons, atraentes, generosos, engraçados e inteligentes.
"Tenha medo de mim ou me reverencie. Mas por favor, me considere especial."
Compartilhamos um vício: a necessidade de aprovação. Todos nós queremos um tapinha nas costas e o relógio de ouro, o grito da torcida. "Olha só o garoto inteligente com o brasão polindo o troféu! Continue brilhando, diamante maluco!" Afinal somos macacos de terno, implorando pela aprovação dos outros. Se soubéssemos disso, não faríamos isso tudo.
Desesperança.
Desprezo.
Invisibilidade.
Desimportância.
Abrace a dor e vença esse jogo.
Eu não tinha parado pra pensar se minha decisão é por falta de esperança ou para atingir outras pessoas, e minha conclusão é que é um pouco de cada. A desesperança está cada vez mais encravada em mim, me cutuca e me corrói.
Desesperança.
Desprezo.
Invisibilidade.
Desimportância.
Há algo sobre nós mesmos que ignoramos. Algo que negamos existir até ser tarde demais para se fazer algo a respeito. É o único motivo pelo qual levantamos toda manhã. O único motivo pelo qual aguentamos o sangue, o suor e as lágrimas. É porque queremos que as pessoas saibam o quanto somos bons, atraentes, generosos, engraçados e inteligentes.
"Tenha medo de mim ou me reverencie. Mas por favor, me considere especial."
Compartilhamos um vício: a necessidade de aprovação. Todos nós queremos um tapinha nas costas e o relógio de ouro, o grito da torcida. "Olha só o garoto inteligente com o brasão polindo o troféu! Continue brilhando, diamante maluco!" Afinal somos macacos de terno, implorando pela aprovação dos outros. Se soubéssemos disso, não faríamos isso tudo.
Desesperança.
Desprezo.
Invisibilidade.
Desimportância.
Abrace a dor e vença esse jogo.
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
Contagem regressiva (-5)
"O que você vai fazer no Ano Novo?"
"Não sei. Provavelmente morrer."
Foi assim que começou meu primeiro diálogo hoje. Descemos para fumar e lá se foi quase uma hora podendo, finalmente, conversar abertamente com alguém sobre meus planos. E sem ser julgada. Sem ser taxada ou rotulada. Apenas uma pessoa me ouvindo e discutindo suicídio como se discute o futebol do final de semana.
E foi bom.
Ao longo do dia me esforcei para esconder as marcas que fiz em meu corpo, mas o calor não me permitiu ficar coberta. Duas pessoas viram e me perguntaram o que era aquilo.
"Gatos."
Menti. Menti descaradamente. Na noite de Natal eu estava vendo minha tolerância à dor, se eu seria capaz de fazer uso do método mais tradicional.
Omiti. Omiti para quem me perguntou como eu estou. "Meu time me anima." Resposta vaga e suficiente para quem não tem um real interesse em saber das coisas.
As pessoas gostam de mentiras bonitas.
"Não sei. Provavelmente morrer."
Foi assim que começou meu primeiro diálogo hoje. Descemos para fumar e lá se foi quase uma hora podendo, finalmente, conversar abertamente com alguém sobre meus planos. E sem ser julgada. Sem ser taxada ou rotulada. Apenas uma pessoa me ouvindo e discutindo suicídio como se discute o futebol do final de semana.
E foi bom.
Ao longo do dia me esforcei para esconder as marcas que fiz em meu corpo, mas o calor não me permitiu ficar coberta. Duas pessoas viram e me perguntaram o que era aquilo.
"Gatos."
Menti. Menti descaradamente. Na noite de Natal eu estava vendo minha tolerância à dor, se eu seria capaz de fazer uso do método mais tradicional.
Omiti. Omiti para quem me perguntou como eu estou. "Meu time me anima." Resposta vaga e suficiente para quem não tem um real interesse em saber das coisas.
As pessoas gostam de mentiras bonitas.
domingo, 24 de dezembro de 2017
Contagem regressiva (-7)
Cheguei no primeiro grande evento. O Natal.
Hoje eu gostaria de estar apenas em dois lugares: ao lado do meu pai e da minha filha ou ao lado do homem que estou amando. E estou em casa. Sozinha.
No último final de semana eu pesquisei muito sobre formas de suicídio. Buscando uma forma indolor, optei pela morte doce e encontrei dois métodos viáveis até então - meu carro quebrou e não liga, o que me impede de fazer da forma menos trágica e dramática.
Eu queria conversar com as pessoas que me são queridas sobre isso, então andei deixando algumas dicas sobre a minha intenção. Percebi que suicidas não falam abertamente sobre suas pretensões para que não sejam impedidos. Eu não quero que alguém me impeça, mas tenho um forte desejo de que algum tipo de milagre me aconteça e me faça sentir que ainda vale a pena estar por aqui.
Eu esperei por um milagre específico durante toda a última semana, eu pedi abertamente por ele. Pedi para o homem que amo me salvar nas festividades de fim de ano. Bastavam três palavras: "Quer ir comigo?" ou "Fico com você."
O milagre que esperei não aconteceu.
Hoje é véspera de Natal e eu não estou conseguindo entender minha cabeça. Estou confusa, como se estivesse bêbada, entorpecida. Não tenho vontade de fazer nada nem de encontrar ninguém. Não consigo manter o foco em uma atividade, já tive crises de choro e de ansiedade.
Não sei se quero sobreviver à noite de hoje.
Tenho os remédios aqui. Tenho as sacolas plásticas. Tenho a coragem. Alguns dizem que não é coragem, e sim covardia. A minha covardia é de continuar vivendo uma vida insossa, sem objetivos e sem motivações. Eu acordo todos os dias porque meu corpo me obriga e me alimento porque sinto fome. Tenho tomado meus remédios, cuidado da minha aparência e ido ao trabalho porque não quero que ninguém desconfie dos meus planos. Não para me impedir.
Ninguém tem culpa disso. Nem as pessoas que percorreram a minha história e nem eu mesma. Quem tem culpa disso é a vida mesmo. A vida que me faz sentir vilipendiada, incompreendida e descartada.
Hoje eu gostaria de estar apenas em dois lugares: ao lado do meu pai e da minha filha ou ao lado do homem que estou amando. E estou em casa. Sozinha.
No último final de semana eu pesquisei muito sobre formas de suicídio. Buscando uma forma indolor, optei pela morte doce e encontrei dois métodos viáveis até então - meu carro quebrou e não liga, o que me impede de fazer da forma menos trágica e dramática.
Eu queria conversar com as pessoas que me são queridas sobre isso, então andei deixando algumas dicas sobre a minha intenção. Percebi que suicidas não falam abertamente sobre suas pretensões para que não sejam impedidos. Eu não quero que alguém me impeça, mas tenho um forte desejo de que algum tipo de milagre me aconteça e me faça sentir que ainda vale a pena estar por aqui.
Eu esperei por um milagre específico durante toda a última semana, eu pedi abertamente por ele. Pedi para o homem que amo me salvar nas festividades de fim de ano. Bastavam três palavras: "Quer ir comigo?" ou "Fico com você."
O milagre que esperei não aconteceu.
Hoje é véspera de Natal e eu não estou conseguindo entender minha cabeça. Estou confusa, como se estivesse bêbada, entorpecida. Não tenho vontade de fazer nada nem de encontrar ninguém. Não consigo manter o foco em uma atividade, já tive crises de choro e de ansiedade.
Não sei se quero sobreviver à noite de hoje.
Tenho os remédios aqui. Tenho as sacolas plásticas. Tenho a coragem. Alguns dizem que não é coragem, e sim covardia. A minha covardia é de continuar vivendo uma vida insossa, sem objetivos e sem motivações. Eu acordo todos os dias porque meu corpo me obriga e me alimento porque sinto fome. Tenho tomado meus remédios, cuidado da minha aparência e ido ao trabalho porque não quero que ninguém desconfie dos meus planos. Não para me impedir.
Ninguém tem culpa disso. Nem as pessoas que percorreram a minha história e nem eu mesma. Quem tem culpa disso é a vida mesmo. A vida que me faz sentir vilipendiada, incompreendida e descartada.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Contagem regressiva (-13)
Minha contagem regressiva começa hoje porque acredito que não chegarei ao próximo ano.
A ideia de suicídio chegou como um cochicho fraco em meu ouvido, num dia banal. Como um câncer, ela foi silenciosamente ganhando espaço, primeiro aparecendo em momentos específicos de solidão. Hoje ela já é um pensamento recorrente e me faz companhia durante todo o dia, do acordar ao adormecer. No começo parecia absurdo e incabível - agora parece uma solução sensata e quase agradável.
Eu aprendi que suicidas não tomam essa decisão em um rompante. Suicídio é uma decisão consciente, trabalhada e estudada, não acontece do dia pra noite.
Eu estava estudando formas e técnicas de morrer e cheguei às possibilidades. Possibilidades tão reais e palpáveis que me fazem fazer pequenos testes para avaliar tempo e sofrimento.
Não quero sofrer, não mais.
A ideia de suicídio chegou como um cochicho fraco em meu ouvido, num dia banal. Como um câncer, ela foi silenciosamente ganhando espaço, primeiro aparecendo em momentos específicos de solidão. Hoje ela já é um pensamento recorrente e me faz companhia durante todo o dia, do acordar ao adormecer. No começo parecia absurdo e incabível - agora parece uma solução sensata e quase agradável.
Eu aprendi que suicidas não tomam essa decisão em um rompante. Suicídio é uma decisão consciente, trabalhada e estudada, não acontece do dia pra noite.
Eu estava estudando formas e técnicas de morrer e cheguei às possibilidades. Possibilidades tão reais e palpáveis que me fazem fazer pequenos testes para avaliar tempo e sofrimento.
Não quero sofrer, não mais.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
Última oração
Tem coisas que não carecem de explicação: a paixão não veio de repente e você sempre me deixou intrigada. Me envolvi conforme fui te conhecendo, participando das suas escolhas e dos seus anseios porque você é encantador de diversas formas e jeitos. Te vi almejar, insistir e perseverar, e você ganhava mais minha admiração a cada passo e a cada conquista. Você, mesmo sem querer, rachou a armadura que me coloquei por ter perdido a fé e a confiança nas pessoas. Enquanto estivermos aqui, olharei para as estrelas e pensarei que podemos contemplar o mesmo céu.
Enquanto estivermos aqui, te darei o meu melhor.
Enquanto estivermos aqui, te darei o meu melhor.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
A caminho da última decisão
Decidir colocar um fim em tudo não é uma decisão fácil. É um processo, lento e gradual, considerado desqualificado e imoral. Fútil. Irrelevante.
Ninguém conhece a dor de ninguém.
As pessoas julgam, e julgam sem saber. Julgam aquilo que ignoram. Julgam aquilo que fingem esquecer. Por isso somos todos cegos, somos incapazes de ser verdadeiramente empáticos uns com os outros. Não conseguimos enxergar além de nosso próprio umbigo.
A vida inteira eu fui pela metade. Sempre quebrada, sempre faltando um pedaço. Sempre implorando por uma ajuda que nunca chegou. Desde sempre.
Você sabe o que é não ser amada? Eu sei. Minha mãe não me amou. Um dia ela se sentiu confortável em me dizer que eu fui a grande decepção da vida dela - e, note bem, isso foi algo que eu ouvi dela, depois de anos de terapia. Não foi numa briga, foi no consultório da psicóloga.
Minha mãe nunca me amou e por todos os anos em que ela esteve viva ela demonstrou isso das mais diversas formas: agressões, ameaças, desprezo. Ela engravidou quando não queria, quando não podia. Ela fez um enxoval pra um menino. Besteira? Não quando você cresce carregando marcas na alma e no corpo, encondendo-se para que as pessoas não fizessem perguntas. Meu pai? Sentia pena de mim, por isso procurava me dar a atenção e o carinho que eu não tinha - palavras dele.
Uma infância baseada em hematomas e queimaduras de cigarro. Uma vida inteira baseada em meus pais desejando que eu não estivesse ali.
A vida não me fez forte e independente. A vida me fez fugitiva de mim mesma. Viajando para longe, morando em outros lugares, experimentando copos e corpos noite após noite. Fazendo de mim uma escrava da necessidade de carinho e atenção. E o que as pessoas fizeram para me ajudar a evitar minha própria degradação, desde criança? Nada. As pessoas não se envolvem, as pessoas não se importam.
A sociedade em que vivemos é podre.
E minha degradação continuou. Seja pelo estupro que sofri e meus pais me tacharam de vagabunda, seja pelas tentativas de suicídio em que fui considerada dramática, pela gravidez não planejada em que fui chamada de inconsequente. Como se tudo o que passei fosse irrelevante e irresponsável. Quando é tarde demais as pessoas se perguntam o que havia de errado.
Pais que não enxergam seus filhos, se mutilando, se drogando, se destruindo. Mães que ignoram seus filhos, pais que humilham, irmãos que rejeitam. O sangue do meu sangue que me deixa pra trás como algo descartável.
Eu não sou forte como as pessoas gostam de pensar. Minha cabeça sempre esteve doente, ansiosa e angustiada, definhando. Ninguém vê. Ninguém se importa. No final da noite estão todos em seus lares confortáveis cercados de quem lhes é estimado - e aquele amigo, aquele parente, aquele conhecido, tadinho, ninguém suporta.
Ninguém se importa até que é tarde.
Eu não queria morrer. Eu imagino que tenho tanta coisa pra viver, pra conhecer, pra me engajar. Mas eu não tenho mais forças. Eu não sou forte, eu não consigo passar um dia sem derrubar lágrimas, eu não deixo de pensar que tudo o que eu tentei construir não faz qualquer sentido.
Eu tenho um sem-número de motivos pra chegar a este ponto. Minha mãe me espancava, meu pai fingia que não via, meu irmão não entendia. Meu melhor amigo me abusou, meu marido me agrediu, minha filha me deixou. Eu assisti minha morte e não sabia o que fazer a respeito.
Eu não quero as lágrimas da minha família. O que é família? Minha família é um monstro que me engole e me drena. São pessoas egoístas e narcisistas que preferem jogar as cinzas debaixo do tapete pra não terem suas vidas superficiais reviradas e suas rotinas fúteis estremecidas.
As pessoas são horríveis. Todo mundo se degladia em busca de atenção. As pessoas usam e abusam umas das outras e depois dizem que não tem nada a ver com isso e que cada um é responsável por si próprio. As pessoas são muito filhasdaputa.
Eu tenho medo de morrer. Tenho medo de haver algo depois dessa vida e a dor não acabar. Eu sou muito covarde. E eu já estou morta, já não tenho valia nesse mundo. Nem me reconheço mais. Eu não aguento mais viver assim.
Passo as noites pesquisando métodos e técnicas e me pego pensando em quanto tempo levarão para encontrar meu corpo inerte em casa. Consigo imaginar com perfeição meu corpo já putrefato e mau cheiroso - é o cheiro que vai chamar a atenção, não a ausência.
Ninguém se importa.
Ninguém conhece a dor de ninguém.
As pessoas julgam, e julgam sem saber. Julgam aquilo que ignoram. Julgam aquilo que fingem esquecer. Por isso somos todos cegos, somos incapazes de ser verdadeiramente empáticos uns com os outros. Não conseguimos enxergar além de nosso próprio umbigo.
A vida inteira eu fui pela metade. Sempre quebrada, sempre faltando um pedaço. Sempre implorando por uma ajuda que nunca chegou. Desde sempre.
Você sabe o que é não ser amada? Eu sei. Minha mãe não me amou. Um dia ela se sentiu confortável em me dizer que eu fui a grande decepção da vida dela - e, note bem, isso foi algo que eu ouvi dela, depois de anos de terapia. Não foi numa briga, foi no consultório da psicóloga.
Minha mãe nunca me amou e por todos os anos em que ela esteve viva ela demonstrou isso das mais diversas formas: agressões, ameaças, desprezo. Ela engravidou quando não queria, quando não podia. Ela fez um enxoval pra um menino. Besteira? Não quando você cresce carregando marcas na alma e no corpo, encondendo-se para que as pessoas não fizessem perguntas. Meu pai? Sentia pena de mim, por isso procurava me dar a atenção e o carinho que eu não tinha - palavras dele.
Uma infância baseada em hematomas e queimaduras de cigarro. Uma vida inteira baseada em meus pais desejando que eu não estivesse ali.
A vida não me fez forte e independente. A vida me fez fugitiva de mim mesma. Viajando para longe, morando em outros lugares, experimentando copos e corpos noite após noite. Fazendo de mim uma escrava da necessidade de carinho e atenção. E o que as pessoas fizeram para me ajudar a evitar minha própria degradação, desde criança? Nada. As pessoas não se envolvem, as pessoas não se importam.
A sociedade em que vivemos é podre.
E minha degradação continuou. Seja pelo estupro que sofri e meus pais me tacharam de vagabunda, seja pelas tentativas de suicídio em que fui considerada dramática, pela gravidez não planejada em que fui chamada de inconsequente. Como se tudo o que passei fosse irrelevante e irresponsável. Quando é tarde demais as pessoas se perguntam o que havia de errado.
Pais que não enxergam seus filhos, se mutilando, se drogando, se destruindo. Mães que ignoram seus filhos, pais que humilham, irmãos que rejeitam. O sangue do meu sangue que me deixa pra trás como algo descartável.
Eu não sou forte como as pessoas gostam de pensar. Minha cabeça sempre esteve doente, ansiosa e angustiada, definhando. Ninguém vê. Ninguém se importa. No final da noite estão todos em seus lares confortáveis cercados de quem lhes é estimado - e aquele amigo, aquele parente, aquele conhecido, tadinho, ninguém suporta.
Ninguém se importa até que é tarde.
Eu não queria morrer. Eu imagino que tenho tanta coisa pra viver, pra conhecer, pra me engajar. Mas eu não tenho mais forças. Eu não sou forte, eu não consigo passar um dia sem derrubar lágrimas, eu não deixo de pensar que tudo o que eu tentei construir não faz qualquer sentido.
Eu tenho um sem-número de motivos pra chegar a este ponto. Minha mãe me espancava, meu pai fingia que não via, meu irmão não entendia. Meu melhor amigo me abusou, meu marido me agrediu, minha filha me deixou. Eu assisti minha morte e não sabia o que fazer a respeito.
Eu não quero as lágrimas da minha família. O que é família? Minha família é um monstro que me engole e me drena. São pessoas egoístas e narcisistas que preferem jogar as cinzas debaixo do tapete pra não terem suas vidas superficiais reviradas e suas rotinas fúteis estremecidas.
As pessoas são horríveis. Todo mundo se degladia em busca de atenção. As pessoas usam e abusam umas das outras e depois dizem que não tem nada a ver com isso e que cada um é responsável por si próprio. As pessoas são muito filhasdaputa.
Eu tenho medo de morrer. Tenho medo de haver algo depois dessa vida e a dor não acabar. Eu sou muito covarde. E eu já estou morta, já não tenho valia nesse mundo. Nem me reconheço mais. Eu não aguento mais viver assim.
Passo as noites pesquisando métodos e técnicas e me pego pensando em quanto tempo levarão para encontrar meu corpo inerte em casa. Consigo imaginar com perfeição meu corpo já putrefato e mau cheiroso - é o cheiro que vai chamar a atenção, não a ausência.
Ninguém se importa.
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