Na última noite eu resolvi reler nossa história, contada por você. Tantos textos sobre mim e sobre nós, tantos sentimentos que revivi ali, deitada na cama, antes de dormir.
Eu, que sempre quero mostrar desapego, não vejo mais necessidade disso. Sinto sua falta, falta do seu cheiro, do seu bem querer. Falta da sua incrível habilidade de me acalmar nas minhas tormentas. Falta de te contar quanta coisa boa vem acontecendo e de você dizer que é tudo mérito.
Eu queria te ver quando fiz minha matrícula. Tinha a esperança de, ao acontecer esse encontro, toda essa falta e essa saudade se dissipasse. Talvez não vá ser assim quando nos cruzarmos, talvez eu tenha a certeza de que não há no mundo melhor parceiro.
Tantos "talvez". Tantos "se".
Nós, tão diferentes, nos vimos em busca da mesma coisa sem buscar. Você, tão Google e eu tão Apple. Você tão razão e eu tão emoção. Você tão independente e eu tão dependente de você. Você, meu gigante e eu, sua miúda.
Ainda fico esperando ver sua moto no posto quando desço do ônibus, ou no portão de casa. Ou você dentro de casa, porque você sabe abrir o portão sem chave e sabe que eu não tranco a porta. A porta está lá, aberta, te esperando voltar pra casa.
Apesar de tudo, ainda me sinto preenchida. Ainda me sinto viva. Ainda me sinto especial como você me fazia sentir, e sou muito grata por isso. Você enxergou em mim facetas que ninguém mais viu, conseguiu penetrar no meu sorriso de Monalisa e me descascar da minha fantasia de Matrioska.
Era sensacional eu ser eu mesma, sem pudores e sem vergonhas. Era poder ter seu corpo sempre quente ali ao lado. Era nosso sexo, incrível e inigualável. Era nosso carinho, transparente e desmedido.
Muito obrigada por ter me livrado das garras do passado e me feito viver o presente e acreditar no futuro. Essa é uma das maiores dádivas que você me deu. Uma outra foi me mostrar que o Amor não precisa ser exaustivo, inconsequente e nem dolorido.
Você me fez uma pessoa mais feliz.
E eu te amo.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Não seja um merda
É sempre assim comigo: o relacionamento acaba, passa-se um tempo, eu mando uma mensagem final desejando uma boa vida e voilà, me apaixono por outra pessoa.
Então você, meu próximo amor-pra-vida-toda, deve estar por chegar. Só te peço uma coisa: não seja um merda.
Os merdas sempre me atraem com seu olhar perdido, suas histórias complicadas, suas famílias problemáticas e sua falta de perspectiva dramática. Por isso, próximo amor, eu preciso que você tenha uma carreira, não seja emocionalmente dependente e não tenha um sonho de vida diferente do caminho que você vem trilhando.
Assim, eu não corro o risco de me engajar em seu sonho, de querer te mostrar um mundo colorido, de me esforçar pra te ajudar a ser alguém melhor do que as pessoas dizem.
Eu não precisarei me vestir de Wendy pra ensinar o Peter Pan a crescer, nem pra ajudar nenhum menino perdido ou até mostrar pro Capitão Gancho que ele não precisa ser o vilão.
Quero que você traga aconchego e paz, leveza sem superficialidade, desejo sem loucura, compromisso sem amarrações. Traga sua história e sua experiência para somar com as minhas, sem nos subtrairmos. Divida comigo seus planos e seus projetos para multiplicarmos juntos.
Traga sossego pro meu desalento que eu te entrego meu coração. Traga firmeza pra minha confusão que eu te entrego minha vida. Traga segurança para os meus ânimos que eu te entrego minha alma.
Não seja um merda. Seja enfim o meu último amor-pra-vida-toda.
Então você, meu próximo amor-pra-vida-toda, deve estar por chegar. Só te peço uma coisa: não seja um merda.
Os merdas sempre me atraem com seu olhar perdido, suas histórias complicadas, suas famílias problemáticas e sua falta de perspectiva dramática. Por isso, próximo amor, eu preciso que você tenha uma carreira, não seja emocionalmente dependente e não tenha um sonho de vida diferente do caminho que você vem trilhando.
Assim, eu não corro o risco de me engajar em seu sonho, de querer te mostrar um mundo colorido, de me esforçar pra te ajudar a ser alguém melhor do que as pessoas dizem.
Eu não precisarei me vestir de Wendy pra ensinar o Peter Pan a crescer, nem pra ajudar nenhum menino perdido ou até mostrar pro Capitão Gancho que ele não precisa ser o vilão.
Quero que você traga aconchego e paz, leveza sem superficialidade, desejo sem loucura, compromisso sem amarrações. Traga sua história e sua experiência para somar com as minhas, sem nos subtrairmos. Divida comigo seus planos e seus projetos para multiplicarmos juntos.
Traga sossego pro meu desalento que eu te entrego meu coração. Traga firmeza pra minha confusão que eu te entrego minha vida. Traga segurança para os meus ânimos que eu te entrego minha alma.
Não seja um merda. Seja enfim o meu último amor-pra-vida-toda.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
É porque nunca se sabe
Meu desejo é estar com meu amor em dia. É saber que aquilo que transmito ao outro é um sentimento genuíno, de qualidade. É sentir que o amor que emano flui de mim forte, limpo e cristalino. E que alcança a alma do outro.
Não sei ser ou amar pela metade, sem entrega. Não sei amar pouco ou cautelosamente, em prestações. Meu amor é vida, é feito planta brotando. Meu amor não se vê em mim, se vê nos olhos de quem amo.
Não sei ser ou amar pela metade, sem entrega. Não sei amar pouco ou cautelosamente, em prestações. Meu amor é vida, é feito planta brotando. Meu amor não se vê em mim, se vê nos olhos de quem amo.
quarta-feira, 13 de julho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
Nostalgia
Cada dia que passa me traz a convicção de que você foi o tal amor da minha vida. Ou é. Difícil definir o que foi, o que é ou o que será quando se trata de sentir. Eu sinto, e só.
Me sinto só.
E hoje eu chorei de saudade. Chorei como criança perdida no supermercado. Chorei como adolescente de coração partido. Chorei como adulta sem chão.
Nem faz tanto tempo que você partiu, mas eu sinto como se fizessem décadas. A dor da sua partida, de te deixar partir, de nos permitirmos viver um sem o outro quando isso já não parecia possível, de nos afastarmos a ponto de não termos mais qualquer tipo de contato ou vínculo.
Você representou meus melhores e piores momentos, meus melhores e piores sentimentos. Com você eu fui aos céus de tanta satisfação e ao inferno de tanta insegurança. Com você, meus sentimentos eram primais, puros, instintivos. Era meu coração na sua forma mais crua.
Houveram outros depois de você, sim. Me apaixonei, fiz planos, tive meu coração partido novamente. Porém, nada se compara. Hoje você é mais um eu-lírico, porque minha memória já não consegue mais se lembrar do seu rosto, dos seus trejeitos, da cor dos seus olhos ou do seu cheiro. O que a minha memória guardou foi a sua voz. Fecho meus olhos e consigo te ouvir perfeitamente me chamando. "Luca".
Hoje, só uma pessoa me chama desta forma, no trabalho. E a cada vez que ele diz meu nome desta forma, "Luca", um arrepio me percorre o corpo e te sinto me tocando levemente.
Me esqueci do teu beijo, do teu carinho, do teu silêncio. Me descobri em outros braços, em afagos sem fim, em um romantismo que eu sempre quis, em um sexo fenomenal. Notei que não me encontrava quando a palavra cantada não tinha o seu timbre e quando o esforço em me entender não era como o seu.
Essa pessoa foi essencial para que eu me redescobrisse capaz de me apaixonar novamente. Não era amor, não como o nosso, que me fazia perder toda a moral e bons costumes, me permitindo lamber seu nariz ou sua axila apenas por diversão, me fazendo rir a cada rompante seu dizendo "Não há tempo para explicações! Suba em meu velociraptor que te explico no caminho!", me fazendo querer ser tua castelhana em nossa querência.
Passaram-se dois anos desde que te dei as costas no aeroporto e não tive coragem de olhar para trás. Você queria superar o homem da minha vida e tornar-se ele; pois bem, você conseguiu.
Me pego pensando como seria se você escolhesse voltar a essa altura. Quem sabe teríamos nossa vidinha, nossa Malu, nossos sonhos de volta. E isso, eu sei que eu não toleraria - simplesmente porque aquele menino que eu tanto amei tornou-se um homem completamente diferente do que era prometido.
Mas a vida tem dessas. Morremos um para o outro e nos tornamos pessoas completamente distintas daquelas pelas quais nos apaixonamos e nos doamos. Meu desejo para você é somente que você seja feliz.
Meu desejo para mim é que eu me sinta daquela forma novamente, capaz de fazer tudo aquilo que fazia com e por você e não fui capaz de fazer por quem estava ao meu lado neste meio tempo.
Me sinto só.
E hoje eu chorei de saudade. Chorei como criança perdida no supermercado. Chorei como adolescente de coração partido. Chorei como adulta sem chão.
Nem faz tanto tempo que você partiu, mas eu sinto como se fizessem décadas. A dor da sua partida, de te deixar partir, de nos permitirmos viver um sem o outro quando isso já não parecia possível, de nos afastarmos a ponto de não termos mais qualquer tipo de contato ou vínculo.
Você representou meus melhores e piores momentos, meus melhores e piores sentimentos. Com você eu fui aos céus de tanta satisfação e ao inferno de tanta insegurança. Com você, meus sentimentos eram primais, puros, instintivos. Era meu coração na sua forma mais crua.
Houveram outros depois de você, sim. Me apaixonei, fiz planos, tive meu coração partido novamente. Porém, nada se compara. Hoje você é mais um eu-lírico, porque minha memória já não consegue mais se lembrar do seu rosto, dos seus trejeitos, da cor dos seus olhos ou do seu cheiro. O que a minha memória guardou foi a sua voz. Fecho meus olhos e consigo te ouvir perfeitamente me chamando. "Luca".
Hoje, só uma pessoa me chama desta forma, no trabalho. E a cada vez que ele diz meu nome desta forma, "Luca", um arrepio me percorre o corpo e te sinto me tocando levemente.
Me esqueci do teu beijo, do teu carinho, do teu silêncio. Me descobri em outros braços, em afagos sem fim, em um romantismo que eu sempre quis, em um sexo fenomenal. Notei que não me encontrava quando a palavra cantada não tinha o seu timbre e quando o esforço em me entender não era como o seu.
Essa pessoa foi essencial para que eu me redescobrisse capaz de me apaixonar novamente. Não era amor, não como o nosso, que me fazia perder toda a moral e bons costumes, me permitindo lamber seu nariz ou sua axila apenas por diversão, me fazendo rir a cada rompante seu dizendo "Não há tempo para explicações! Suba em meu velociraptor que te explico no caminho!", me fazendo querer ser tua castelhana em nossa querência.
Passaram-se dois anos desde que te dei as costas no aeroporto e não tive coragem de olhar para trás. Você queria superar o homem da minha vida e tornar-se ele; pois bem, você conseguiu.
Me pego pensando como seria se você escolhesse voltar a essa altura. Quem sabe teríamos nossa vidinha, nossa Malu, nossos sonhos de volta. E isso, eu sei que eu não toleraria - simplesmente porque aquele menino que eu tanto amei tornou-se um homem completamente diferente do que era prometido.
Mas a vida tem dessas. Morremos um para o outro e nos tornamos pessoas completamente distintas daquelas pelas quais nos apaixonamos e nos doamos. Meu desejo para você é somente que você seja feliz.
Meu desejo para mim é que eu me sinta daquela forma novamente, capaz de fazer tudo aquilo que fazia com e por você e não fui capaz de fazer por quem estava ao meu lado neste meio tempo.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Ano 1
Preciso escrever. Preciso tentar colocar pra fora tudo aquilo que me enche, que me esvazia, que me apaga e que me ilumina.
Estou pensando seriamente em fazer uso de um caderno. Um diário, uma agenda, um sem-fim de páginas pautadas nisso que chama de ~sentir~. Pode parecer algo tolo e juvenil, mas a verdade é que sempre me expressei melhor escrevendo do que falando - porque as palavras fazem essa dança maluca na minha cabeça, se misturando, retorcendo, indo, vindo e sambando. Nunca fui boa em falar, não sigo uma rota linear nem cronológica, as palavras apenas vêm e vão, juntam-se aos pensamentos, corriqueiros, e dão as mãos aos meus sentimentos, tão intensos.
Por isso escrevo. Ao escrever, essas mesmas palavras se unem em uma ciranda, ora colorida, ora em sépia; organizando minha cabeça, meu coração e, por que não?, meu fígado e rins.
Eu sempre tive esse talento. Transformar sorrisos, suor, suspiros e saudades em palavras escritas, gramaticalmente corretas e por vezes com vocabulário rebuscado.
Com essa dona internet, encontrei diversas formas de me expressar. Primeiro, os blogs, depois fotologs, então o finado ICQ, depois o Orkut, MSN, Twitter e Facebook. Voltei ao esquecido blog porque é meu lugar seguro: no Twitter não tenho controle sobre quem me observa, dentre alunos, colegas de trabalho, amigos e namorado; no Facebook, aquela que se une a mim por sangue, minha família.
Mas se o sangue corre nas veias, é por pura falta de opção.
Esse setembro, como todos os outros, me trouxe novos caminhos e perspectivas. Recebi uma nova promoção - sim, mais uma. Como não acreditar na minha capacidade e competência com uma média de uma promoção no trabalho a cada sete meses, com pouco mais de dois anos na companhia? Um novo caminho, um novo horizonte, novas metas e novos planos.
O coração, ah o coração. Esse é um maluco descompassado. Me olha, me vibra e me dobra. Me apaixona e desapaixona, me remete ao passado, ao presente e ao futuro e me borda com sonhos. Sofro ataques energéticos por conta dele - meu coração e dos outros. Sou perseguida, acusada, atacada e banida (as pessoas acham mesmo que não sei quando me fazem presente mesmo eu estando distante ou que não deixam suas marcas digitais ao verificarem minha vida atrás de algo que não encontrarão?). Também sou acolhida, querida, amada e carinhada mesmo sem ter o merecimento.
O que acontece dentro de mim só compete a mim. Não importa se é meu irmão, minha filha, meu namorado ou um amigo. Não dá pra saber o que é estar presa sob essa camada de força e determinação. Não dá pra saber o que é se vestir de corpete para dançar Edge of the World - com exatamente a mesma coreografia para dois namorados diferentes com um intervalo de sete anos; ou vestir o peito daquelas velhas esperanças, tão sólidas e tão burras. Não dá pra saber o que é enfrentar o dia a dia pensando no que foi, no que não foi, no que será e no que seria. Não dá.
Não dá pra ser honesta com os outros o tempo todo. Os outros não gostam de ouvir as verdades. E no fim, só eu é quem sei o que sinto: amor de puro amor.
E que a vida recomece!
Estou pensando seriamente em fazer uso de um caderno. Um diário, uma agenda, um sem-fim de páginas pautadas nisso que chama de ~sentir~. Pode parecer algo tolo e juvenil, mas a verdade é que sempre me expressei melhor escrevendo do que falando - porque as palavras fazem essa dança maluca na minha cabeça, se misturando, retorcendo, indo, vindo e sambando. Nunca fui boa em falar, não sigo uma rota linear nem cronológica, as palavras apenas vêm e vão, juntam-se aos pensamentos, corriqueiros, e dão as mãos aos meus sentimentos, tão intensos.
Por isso escrevo. Ao escrever, essas mesmas palavras se unem em uma ciranda, ora colorida, ora em sépia; organizando minha cabeça, meu coração e, por que não?, meu fígado e rins.
Eu sempre tive esse talento. Transformar sorrisos, suor, suspiros e saudades em palavras escritas, gramaticalmente corretas e por vezes com vocabulário rebuscado.
Com essa dona internet, encontrei diversas formas de me expressar. Primeiro, os blogs, depois fotologs, então o finado ICQ, depois o Orkut, MSN, Twitter e Facebook. Voltei ao esquecido blog porque é meu lugar seguro: no Twitter não tenho controle sobre quem me observa, dentre alunos, colegas de trabalho, amigos e namorado; no Facebook, aquela que se une a mim por sangue, minha família.
Mas se o sangue corre nas veias, é por pura falta de opção.
Esse setembro, como todos os outros, me trouxe novos caminhos e perspectivas. Recebi uma nova promoção - sim, mais uma. Como não acreditar na minha capacidade e competência com uma média de uma promoção no trabalho a cada sete meses, com pouco mais de dois anos na companhia? Um novo caminho, um novo horizonte, novas metas e novos planos.
O coração, ah o coração. Esse é um maluco descompassado. Me olha, me vibra e me dobra. Me apaixona e desapaixona, me remete ao passado, ao presente e ao futuro e me borda com sonhos. Sofro ataques energéticos por conta dele - meu coração e dos outros. Sou perseguida, acusada, atacada e banida (as pessoas acham mesmo que não sei quando me fazem presente mesmo eu estando distante ou que não deixam suas marcas digitais ao verificarem minha vida atrás de algo que não encontrarão?). Também sou acolhida, querida, amada e carinhada mesmo sem ter o merecimento.
O que acontece dentro de mim só compete a mim. Não importa se é meu irmão, minha filha, meu namorado ou um amigo. Não dá pra saber o que é estar presa sob essa camada de força e determinação. Não dá pra saber o que é se vestir de corpete para dançar Edge of the World - com exatamente a mesma coreografia para dois namorados diferentes com um intervalo de sete anos; ou vestir o peito daquelas velhas esperanças, tão sólidas e tão burras. Não dá pra saber o que é enfrentar o dia a dia pensando no que foi, no que não foi, no que será e no que seria. Não dá.
Não dá pra ser honesta com os outros o tempo todo. Os outros não gostam de ouvir as verdades. E no fim, só eu é quem sei o que sinto: amor de puro amor.
E que a vida recomece!
terça-feira, 19 de maio de 2015
Feeling my bittersweetness
Eu o conheci há pouco mais de três anos, numa mesa de RPG.
Eu o conheci e me reconheci nele, e assim seguimos, nos vendo de vez em quando jogando RPG, comendo tranqueiras, bebendo bobagens, conversando amenidades, fumando cigarros mentolados.
Eu cheguei a nos imaginar juntos algumas vezes, mas preferi pensar que isso se dava pelas situações em que eu me encontrava envolvida. Notei que poderia ser algo um pouco mais grave quando nos encontramos num restaurante japonês - ele e a esposa vieram até a minha mesa para nos cumprimentar. Nos cumprimentar; eu, minha filha e meu marido. E uma pontada de ciúme me espetou.
O tempo passou, continuamos nos vendo esporadicamente e sem qualquer relação que não fosse esse vínculo de termos amigos em comum. O tempo passou, e eu me separei. O tempo passou, e ele continuava casado. Então, na festa de debutante da minha filha, ele me contou que havia se separado.
Hoje, estamos juntos. Nos entendemos, nos apoiamos, nos completamos e, recentemente, nos declaramos. Estamos juntos, e isso nos basta. Sem a necessidade de um rótulo, de uma posição, de nada. Nós somos apenas nós, eu dele e ele meu.
Nosso amigo Orc disse que combinamos desde sempre. Que já estávamos juntos e não sabíamos.
E hoje, como que pra confirmar que estamos vivendo da forma mais bonita e deliciosa dos meus últimos anos, ele me escreveu doces palavras de um futuro bom:
"Dentro de mim tudo era ordem, uma máquina bem lubrificada de resolver problemas e consertar coisas, então ela apareceu: caos, trovões, tempestades de sorrisos e beijos tirando o prumo da máquina.
O pânico, o peito arfando, o ponto preto embaixo do lábio, a pinta.
Dentro do meu escuro, a luz que emana e espanta a solidão, me aquece e me faz querer merecer estar perto.
A boca, o beijo, o gosto, o toque, o cheiro. O sorriso de menina, o brilho no olho, o olhar de mulher.
Me beija, me olha, me muda, me vira, me dobra. Entra na minha cabeça e desfaz a máquina, me dá teu caos.
Me deixa em pânico quando não sorri. Me faz chorar enquanto canta, me encanta sendo mãe, mulher, amiga. Vê-la chorar dói, arde, aperta, quase mata.
Precisei remontar a máquina para provar por A+B que ela tinha que destrui-la.
Arlequina, jogando confete num Pierrô da quarta-feira de cinzas. Cometa que nunca chega e vai embora. Ser humano, mãe, amiga, guerreira, mulher e menina.
Miúda Gisele passarinha.
Entra no meu peito, rasga minha carne, me faz menino, bobo, risonho, feliz. Me guia, me ensina, me mostra o caminho pro seu coração.
Me gosta, me cheira, me vive.
Me beija."
E é assim, sem borboletas no estômago que nos percebemos como o porto seguro um do outro.
Eu o conheci e me reconheci nele, e assim seguimos, nos vendo de vez em quando jogando RPG, comendo tranqueiras, bebendo bobagens, conversando amenidades, fumando cigarros mentolados.
Eu cheguei a nos imaginar juntos algumas vezes, mas preferi pensar que isso se dava pelas situações em que eu me encontrava envolvida. Notei que poderia ser algo um pouco mais grave quando nos encontramos num restaurante japonês - ele e a esposa vieram até a minha mesa para nos cumprimentar. Nos cumprimentar; eu, minha filha e meu marido. E uma pontada de ciúme me espetou.
O tempo passou, continuamos nos vendo esporadicamente e sem qualquer relação que não fosse esse vínculo de termos amigos em comum. O tempo passou, e eu me separei. O tempo passou, e ele continuava casado. Então, na festa de debutante da minha filha, ele me contou que havia se separado.
Hoje, estamos juntos. Nos entendemos, nos apoiamos, nos completamos e, recentemente, nos declaramos. Estamos juntos, e isso nos basta. Sem a necessidade de um rótulo, de uma posição, de nada. Nós somos apenas nós, eu dele e ele meu.
Nosso amigo Orc disse que combinamos desde sempre. Que já estávamos juntos e não sabíamos.
E hoje, como que pra confirmar que estamos vivendo da forma mais bonita e deliciosa dos meus últimos anos, ele me escreveu doces palavras de um futuro bom:
"Dentro de mim tudo era ordem, uma máquina bem lubrificada de resolver problemas e consertar coisas, então ela apareceu: caos, trovões, tempestades de sorrisos e beijos tirando o prumo da máquina.
O pânico, o peito arfando, o ponto preto embaixo do lábio, a pinta.
Dentro do meu escuro, a luz que emana e espanta a solidão, me aquece e me faz querer merecer estar perto.
A boca, o beijo, o gosto, o toque, o cheiro. O sorriso de menina, o brilho no olho, o olhar de mulher.
Me beija, me olha, me muda, me vira, me dobra. Entra na minha cabeça e desfaz a máquina, me dá teu caos.
Me deixa em pânico quando não sorri. Me faz chorar enquanto canta, me encanta sendo mãe, mulher, amiga. Vê-la chorar dói, arde, aperta, quase mata.
Precisei remontar a máquina para provar por A+B que ela tinha que destrui-la.
Arlequina, jogando confete num Pierrô da quarta-feira de cinzas. Cometa que nunca chega e vai embora. Ser humano, mãe, amiga, guerreira, mulher e menina.
Miúda Gisele passarinha.
Entra no meu peito, rasga minha carne, me faz menino, bobo, risonho, feliz. Me guia, me ensina, me mostra o caminho pro seu coração.
Me gosta, me cheira, me vive.
Me beija."
E é assim, sem borboletas no estômago que nos percebemos como o porto seguro um do outro.
domingo, 22 de março de 2015
Via de mão única
Um dia eu tive que fazer aquela que eu julgo a escolha mais importante da minha vida: minha carreira ou meu casamento.
Depois de muito me sacrificar e não receber o que eu gostaria, eu escolhi o caminho mais fácil; deixei que meu companheiro fosse embora com a promessa de que eu não o acompanharia e de que nunca mais voltaria àquele lugar.
Não precisei mergulhar no trabalho, eu estava de férias, mas mesmo assim meu trabalho mergulhou em mim. Tão logo meu primeiro descanso anual terminara, recebi a notícia da minha segunda promoção, não para o cargo que eu almejava mas sim fruto de um convite para outra área - que acompanhava o vislumbre de muitas horas extras, um bom dinheiro, um novo tipo de visibilidade, uma relação mais próxima com a gerência, viagens e quiçá ir embora do país.
Quase tudo isso aconteceu, com as vantagens de me aproximar de pessoas que eu nunca havia imaginado, novos elos de amizade e parceria, e um desenvolvimento descomunal.
Eis que esta semana recebi um novo convite. Não foi bem um convite, vá lá, foi mais uma intimação. Algo que eu não esperava, mas que me dá a visão de novos desafios através de outra reviravolta. Me sinto completa, compreendida e valorizada. Já não pareço em nada com quem eu era há alguns meses, há alguns anos.
E neste momento, revisitando o passado, estou naquele lugar que eu prometi nunca mais voltar. Hoje sou apenas mais uma turista entre tantos que se encantam com o ar frio e as palavras cantadas daqui - coisas que já não me comovem há anos. Mas eu olho pro lado e posso sentir toda o respeito, admiração e carinho emanando desta pessoa deitada na cama comigo.
Sim, eu fiz a escolha certa.
Depois de muito me sacrificar e não receber o que eu gostaria, eu escolhi o caminho mais fácil; deixei que meu companheiro fosse embora com a promessa de que eu não o acompanharia e de que nunca mais voltaria àquele lugar.
Não precisei mergulhar no trabalho, eu estava de férias, mas mesmo assim meu trabalho mergulhou em mim. Tão logo meu primeiro descanso anual terminara, recebi a notícia da minha segunda promoção, não para o cargo que eu almejava mas sim fruto de um convite para outra área - que acompanhava o vislumbre de muitas horas extras, um bom dinheiro, um novo tipo de visibilidade, uma relação mais próxima com a gerência, viagens e quiçá ir embora do país.
Quase tudo isso aconteceu, com as vantagens de me aproximar de pessoas que eu nunca havia imaginado, novos elos de amizade e parceria, e um desenvolvimento descomunal.
Eis que esta semana recebi um novo convite. Não foi bem um convite, vá lá, foi mais uma intimação. Algo que eu não esperava, mas que me dá a visão de novos desafios através de outra reviravolta. Me sinto completa, compreendida e valorizada. Já não pareço em nada com quem eu era há alguns meses, há alguns anos.
E neste momento, revisitando o passado, estou naquele lugar que eu prometi nunca mais voltar. Hoje sou apenas mais uma turista entre tantos que se encantam com o ar frio e as palavras cantadas daqui - coisas que já não me comovem há anos. Mas eu olho pro lado e posso sentir toda o respeito, admiração e carinho emanando desta pessoa deitada na cama comigo.
Sim, eu fiz a escolha certa.
domingo, 11 de janeiro de 2015
Carne, osso e passado
O namoro acaba, o tempo passa e nós, apesar dos pesares, acreditamos que estamos livres - pra mudar de vida, para aproveitar os amigos, para conhecer outros amores.
Mas não. De repente ainda não se está totalmente livre do ex-namorado, porque a atual namorada dele te visita todos os dias no Twitter e no Facebook, manda e-mails, verifica sua última vez online no Whatsapp.
Não se está mais junto com o ex, mas ela acredita que há alguma coisa e por isso persegue, constantemente, como puder e onde puder. É estranho, mas acontece. Todos os dias, com alguma mulher. E aconteceu comigo também.
Em um dos meus términos, a atual resolveu "bater um papo" com a minha filha - que nem filha do ex é - e fazer a amiguinha. Depois da tentativa de colocá-la em seu lugar, ela se revoltou e passou a me perseguir deliberadamente, inclusive associando qualquer postagem minha à perseguição dela. Revirou meus históricos atrás de ~provas~ de que eu ainda queria o ex de volta. Um ex com quem nunca mantive contato e nunca me esforcei pra saber como andava a vida. Continuei sem falar com ele apesar dos ataques dela - simplesmente porque eu quis continuar a não ter nenhum tipo de contato com o moço. É como dizem por aí: depois que a relação termina, emane apenas luz e amor para a pessoa. E foi o que fiz.
Mesmo assim, a menina, a atual, me mandava mensagens gigantescas e frequentes, demonstrando a insegurança que sentia em relação a mim. Talvez porque eles começaram a namorar poucas semanas depois de termos terminado, e uma relação de cinco anos não se resolve internamente em tão pouco tempo. Tem aquele lance em psicologia sobre arrumar alguém logo pra usar de muleta, mas enfim. Entrei na brincadeira dela apenas porque, querendo ou não, eu acho divertido alguém sem relação comigo se incomodar tanto com a minha presença - uma vez que ela me faz presente no namoro dela apesar das minhas tentativas de ausência.
Mas então tive pena. Fiquei com dó mesmo, porque uma pessoa assim não consegue ter paz, e fiz um favor a ela: desapareci. Mudei a arroba no Twitter e bloqueei no Facebook.
Tem mulheres que perdem a noção do ridiculo quando se apaixonam. Acontece com muitas, de todos os tipos, tamanhos, classe social e nível intelectual. Arrumam desculpas e forjam situações para justificar a perseguição. Interpretam qualquer cena para chamar a atenção do homem.
Quando são tomadas por essa névoa de insegurança, passam a atormentar quem representa perigo a elas. Que pode ser você ou eu - a ex - ou uma colega de trabalho e até o melhor amigo.
Vale ressaltar que quando uma relação termina, na maioria das vezes um parceiro está tão saturado do outro que não há espaço para volta: o maior perigo para a nova relação está nas "novidades" que o outro encontra por aí, e não no passado dele.
Update
Links para te ajudar a superar a ex:
O mito da ex-namorada
Sinais de que ele não esqueceu a ex
Mas não. De repente ainda não se está totalmente livre do ex-namorado, porque a atual namorada dele te visita todos os dias no Twitter e no Facebook, manda e-mails, verifica sua última vez online no Whatsapp.
Não se está mais junto com o ex, mas ela acredita que há alguma coisa e por isso persegue, constantemente, como puder e onde puder. É estranho, mas acontece. Todos os dias, com alguma mulher. E aconteceu comigo também.
Em um dos meus términos, a atual resolveu "bater um papo" com a minha filha - que nem filha do ex é - e fazer a amiguinha. Depois da tentativa de colocá-la em seu lugar, ela se revoltou e passou a me perseguir deliberadamente, inclusive associando qualquer postagem minha à perseguição dela. Revirou meus históricos atrás de ~provas~ de que eu ainda queria o ex de volta. Um ex com quem nunca mantive contato e nunca me esforcei pra saber como andava a vida. Continuei sem falar com ele apesar dos ataques dela - simplesmente porque eu quis continuar a não ter nenhum tipo de contato com o moço. É como dizem por aí: depois que a relação termina, emane apenas luz e amor para a pessoa. E foi o que fiz.
Mesmo assim, a menina, a atual, me mandava mensagens gigantescas e frequentes, demonstrando a insegurança que sentia em relação a mim. Talvez porque eles começaram a namorar poucas semanas depois de termos terminado, e uma relação de cinco anos não se resolve internamente em tão pouco tempo. Tem aquele lance em psicologia sobre arrumar alguém logo pra usar de muleta, mas enfim. Entrei na brincadeira dela apenas porque, querendo ou não, eu acho divertido alguém sem relação comigo se incomodar tanto com a minha presença - uma vez que ela me faz presente no namoro dela apesar das minhas tentativas de ausência.
Mas então tive pena. Fiquei com dó mesmo, porque uma pessoa assim não consegue ter paz, e fiz um favor a ela: desapareci. Mudei a arroba no Twitter e bloqueei no Facebook.
Tem mulheres que perdem a noção do ridiculo quando se apaixonam. Acontece com muitas, de todos os tipos, tamanhos, classe social e nível intelectual. Arrumam desculpas e forjam situações para justificar a perseguição. Interpretam qualquer cena para chamar a atenção do homem.
Quando são tomadas por essa névoa de insegurança, passam a atormentar quem representa perigo a elas. Que pode ser você ou eu - a ex - ou uma colega de trabalho e até o melhor amigo.
Vale ressaltar que quando uma relação termina, na maioria das vezes um parceiro está tão saturado do outro que não há espaço para volta: o maior perigo para a nova relação está nas "novidades" que o outro encontra por aí, e não no passado dele.
Update
Links para te ajudar a superar a ex:
O mito da ex-namorada
Sinais de que ele não esqueceu a ex
domingo, 28 de setembro de 2014
Ao pó voltarás
Minha última postagem foi logo depois de uma decisão dura. E cá estou eu, quase três anos depois, numa situação semelhante.
Eu sabia que não seria fácil. Sabia que ia doer, que haveriam lágrimas, que haveria ausência. Como é difícil... Perder o chão, a alma e as esperanças - aquelas mesma que floreavam o meu dia a dia.
Ele se foi. Em nosso último reencontro, eu disse que se ele partisse novamente, não teria volta, seria definitivo. E foi.
Me sinto grata por ter tido a oportunidade de amar de uma forma tão densa, tão profunda, tão cheia de entrega. Fiz do mundo dele o meu mundo. Fiz dele o meu mundo. Mas foi tudo em vão. Meu mundo não existe mais.
Não consigo mais acreditar naquilo que passamos a vida ouvindo, sobre o universo conspirar a favor, sobre justiça divina, karma... Se o universo conspira a favor, por que tudo sempre foi tão complicado? Se justiça divina existe, por que tantas mentiras sobrepõem o que era verdadeiro?
Eu me dediquei tanto. Fiz coisas que me julgava incapaz de fazer, perdoei atos imperdoáveis, esqueci o que deveria lembrar e deixei passar a poeira debaixo do tapete. A troco de nada. Cinco anos a troco de nada.
Me dei ao luxo de provar outras bocas, outros gostos e outros cheiros. É bem difícil encontrar algo que se sabe onde está e não se pode ter de volta. Não existem similares nem genéricos. Meu coração e meu corpo não aceitam isso.
E então, percebemos que não somos nada. Somos apenas pó, daquele tipo que se varre pra fora de casa sem pestanejar. O amor, a paixão, o sexo, o carinho, o querer-bem... é tudo pó.
Acontece, vida que segue. Aos trancos e barrancos, sigo trabalhando mais de 12 horas por dia para esquecer. Para não pensar. Para que o hábito tome forma definitiva, para que essa esperança burra desapareça, para que eu canse de esperar.
Porque, no fim, é assim. O fim. Frio e cruel.
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