sábado, 27 de maio de 2017

Nuvem

Há mais ou menos um mês você me disse para eu refletir sobre meus desejos e expectativas, e sugerir algo que tendenciasse à minha felicidade. Eu estava esperando algumas coisas acontecerem antes disso: os shows do Anitelli e do Humberto - porque eu não queria ter a lembrança da sua ausência neles - e o Dia dos Namorados - para que você não tivesse alguma má impressão.

Eu fiquei MUITO chateada por você não ir comigo ao show de amanhã porque eu já havia falado dele há dois meses, e você disse que iria se pudesse reclamar depois. Fiquei chateada porque eu realmente esperava que você comigo ao show do cara que é meu compositor favorito, que praticamente traduz minha vida nas suas letras e me comove com seus acordes no baixo.
Daí eu pensei que não devo mais postergar essa conversa, mas não sei quando te verei novamente e nem se conseguirei te falar. Então estou fazendo isso.

A nossa relação não tem nome e nem precisa de um. É uma junção de propósitos, um acerto sem denominações. Um relacionamento sem atualização de status ou aceitação alheia.

Eu gosto de você e de quem somos juntos, mas ainda me falta algo. Estarmos juntos é, ao mesmo tempo, suficiente e ultrajante, porque não consigo me alimentar de hipóteses e muito me os sobreviver de expectativas.

Quando eu te disse que não queria migalhas suas eu me referia à fragilidade e superficialidade. Eu me sinto uma nota de rodapé perdida na sua história, enquanto eu queria ser o seu marcador de livros favorito. Não falo em mudar hábitos ou rotinas, principalmente porque uma relação é composta de duas pessoas, dois indivíduos, únicos e raros, que tem suas próprias vidas, seus próprios objetivos e duas próprias escolhas.

Mas estar junto é também compartilhar nossa individualidade.

Eu sinto inveja quando comenta que saiu com seus amigos e Fulano e Cicrano levaram "as minas" junto. Sinto inveja porque eu também queria estar lá de vez em quando, compartilhando desse Pedro e desse mundo que desconheço. Fico pensando se você quer me esconder, se tem vergonha de mim - afinal, não estamos juntos há duas ou três semanas. São quase seis meses.

Me machuca quando você fala que tem "afeto" ou "apreço" por mim. Afeto e apreço são sentimento que tenho pelos meus amigos. Por você, não sei ao certo. Já te escrevi algumas vezes que estou apaixonada, e não consigo te dizer isso cara a cara porque tenho medo de não ver seus olhos castanhos brilharem nessa hora. Por duas ou três vezes eu te olhei e pensei "CARALHO, EU AMO ESSE HOMEM!". Isso é tão confuso! Confuso porque eu tenho tentado represar meus sentimentos, me sinto insegura e me apavora a ideia de não ser correspondida por você.

Procuro, a cada dia, matar o que sinto. Eu não quero perder meu tempo me esforçando para entrar em alguém que não tem espaço para mim.

Confesso que tenho uma esperança meio burra de que você queira fazer algo para me colocar vencer de que vale a pena ficar. De que você corra até mim, me segure pelo braço e diga que precisa que eu continue acreditando. Eu queria que você não apenas me assistisse saindo, não me olhasse escorregando por entre seus dedos sem nem sequer tentar fechar a mão.

Não me deixa ir embora e acreditar que lá fora é melhor do que aí dentro porque​ não faz frio, não venta e nem é tão solitário. Não me deixa dar conta de que existem lugares dos quais você não faz parte é que posso ter esses lugares só pra mim se eu quiser. Eu desejo que você não me deixe querer.

Se uma mensagem sua demorar a chegar, eu passo por cima do orgulho e da simplória tentativa de saber quem errou primeiro.
E se sua mensagem não chegar nunca, eu deixo a minha aqui mesmo.

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