terça-feira, 28 de março de 2017

Nota de agradecimento

Você não sabe, mas eu tentei fugir. Tentei me esconder, tentei escapar, tentei negar. E essa fuga quase desesperada foi o que me fez me achar. Me fez te achar. Fez com que eu me encontrasse em você e, finalmente, te encontrasse em mim.

Antes eu era preenchida com dúvidas e confusão e, depois dessa fuga desenfreada, eu encontrei a paz que eu procurava. Hoje sei exatamente o que sinto, o que eu quero e o que eu espero. Sei que tudo aquilo que eu achava que me incomodava é, na realidade, o meu refúgio.

Agora posso dizer, sem medo, que estou apaixonada por você. Apaixonada, com todas as letras, sons, cores, cheiros, sabores e texturas. Sinto que o que temos é bom, me faz bem, me alegra, me seduz e me faz sentir segura. Eu quero poder te proporcionar o mesmo: te fazer bem, te alegrar, te seduzir e te deixar seguro. Definitivamente não preciso de um título padronizado pelas regras e bons costumes, assim como não tenho a necessidade de atitudes que os outros esperam de mim ou de você. Eu gosto de quem somos quando estamos juntos, da sua risada fora de hora e de como eu continuo tímida ao seu lado. Eu gosto de saber - e sentir - que podemos ser transparentes e honestos um com o outro, de não haver jogos e nem chantagens emocionais. Nós apenas somos o que somos, e estamos ali.

Não sinto falta dos planos a longo prazo ou das expectativas simplesmente porque nós estamos aqui, vivendo isso e fazendo funcionar da forma que dá pra fazer, sem cobranças descabidas, sem compromissos frívolos e sem responsabilidades indesejadas.

Obrigada por me mostrar que isso é possível. Por me mostrar que é possível ser feliz dessa forma. Por me fazer sentir completa sem que eu precise sentir falta de algum pedaço meu.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Mudaram as estações

"Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente."

Eu cheguei ali, na beirada. O vento batendo em meus cabelos e o frio cortando minha pele enquanto eu estava borbulhando por dentro.

Olhei para baixo. Era só pular.

E eu não pulei. Continuei sentindo o vento e o frio, sem saber o que aconteceria. Era só pular, caralho! Eu fui covarde, confesso.
Tive medo, tive receio, tive confusão. Meu estômago revirava, minha cabeça dava voltas, minhas mãos suavam e minhas pernas tremiam. Eu sabia. Eu sempre soube.

Nada será como antes. Era só pular.

Dei as costas para o vale verde e florido com suas begônias exalando frescor e juventude enquanto meu corpo aquietava-se. Questão de tempo, tudo passa e esse tudo me faz esquecer tudo o que eu vi.

O vale. Era só pular.

Pela primeira vez eu não agi por impulso e pela primeira vez eu deixei que aquilo que eu trazia em mim se construísse por si só. Eu acreditava que isso faria com que suas bases fossem mais sólidas e me despi de meus conceitos, de meu orgulho, de minha bagagem. Eu só não esperava que as fundações dessa construção fossem tão voláteis. Eu não queria que fossem, eu desejei com quase todas as minhas forças que não fossem.

O desconhecido. Era só pular.

Chego a me estranhar por tamanha racionalidade travestida de impetuosidade. Enquanto eu me despia, me deixava ficar nua, eu me afastava. As cores já não são mais tão vibrantes, os cheiros já não importam, os sabores viraram mesmice, o toque já não arrepia e os sons tornaram-se uma canção de uma nota só.

Eu quis tanto. Era só pular.

Notei que não me importava mais tanto quanto antes. Eu tinha planos, tinha desejos, tinha expectativas... E minhas expectativas se demonstraram simples projeção, meus desejos passaram a ser meramente carnais e nos meus planos já não cabe você.

Era só pular, e eu fraquejei. Fraquejei porque o desconhecido e a incerteza não me seduzem mais.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Eu não gosto de "Dia da Mulher"

Você já viu violência de perto?
Violência emocional. Violência física. Violência sexual. Violência doméstica.

Eu já vi. Eu já vivi.
Eu tenho pesadelos.
Eu tenho ansiedade.
Eu me culpei.
A sociedade me culpou.

Eu sou estatística.

Ser mulher às vezes é um fardo. E significa ser muito mais forte.

domingo, 5 de março de 2017

Confete

Eu estava me arrumando para dormir quando recebi aquela sua mensagem na madrugada, que sim, literalmente me tirou o ar. Eu perdi o sono, perdi o fôlego, perdi o controle e me perdi em você.

Eu fico admirada com quem você é. Tão centrado, tão determinado, tão sensato, tão disposto. Você é uma pessoa única, muito rara, e eu me considero uma mulher de sorte por ter a oportunidade de compartilhar um pouco do seu tempo, da sua atenção, das suas ideias e da sua história.

Você tem sido meu primeiro pensamento ao acordar e o último antes de dormir. Sua voz, seus cheiros e suas texturas, tudo isso me encanta e me excita. Cada encontro que temos é como uma nova aventura a ser desbravada e cada despedida já me deixa saudosa antes mesmo de acontecer.

Quando estou ao seu lado, você faz com que eu me apresente sem máscaras e sem disfarces, na minha forma mais pura, e sim, mais vulnerável. E mesmo me sentindo exposta e indefesa, não me sinto incomodada - pelo contrário, você faz com que eu me sinta livre e leve. E eu gosto disso. Gosto muito.

Eu adoro estar com você. Eu adoro quem você é. Eu adoro gostar tanto de você.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Post Scriptum

Eu não queria me envolver. Eu não queria me perceber me apaixonando. Eu não queria nenhuma história.

Era pra ser só mais um match monótono nesses aplicativos de relacionamento. E, como sempre, eu nem dei atenção. Da mesma forma que não dei atenção para o que quer que tenhamos conversado nas mensagens do celular e da mesma forma que não notei que havíamos nos adicionados em redes sociais.

E foi uma curtida em um vídeo de alguém tocando baixo que te fez falar comigo depois de meses. Esse alguém tocando era você.

Conversamos muito, por longos períodos e dias a fio. Nos encontramos e temos nos visto com muita frequência desde aquele dia.

Eu não fiquei com mais ninguém desde então - ao contrário, tenho me esquivado de investidas. Me pego pensando em você ao acordar e antes de dormir, vejo diversas coisas que me remetem à você e encontro um milhão de bobeiras que quero compartilhar contigo. Sinto sua falta quando não nos falamos e me pego ansiosa pelo próximo encontro.

Eu não quero rótulos. Não quero títulos. E sabemos que estamos alinhados quanto a isso.

Eu tenho medo. Eu tenho medo de gente, eu tenho medo de me expor. Fico apavorada porque não consigo me expressar como eu gostaria e acabo por ser rude algumas vezes. E você me faz bem, você me faz feliz.

Estou lendo um livro e, numa passagem, a personagem principal é levada para dançar ao som de "Wonderful Tonight"; ela descreve o braço do companheiro em sua cintura, a leve pressão dos corpos e o arrepio que correu pelo corpo dela - pensei em você naquele instante e percebi que estou perdida.

Eu não queria criar expectativas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Amores plásticos

Não é de hoje que leio e escuto pessoas falando sobre a superficialidade das relações. De fato, estamos numa época em que as pessoas evitam se envolver e construir uma relação real.

O que muitas pessoas não percebem é que também estamos numa era em que as pessoas estão mais desesperadas por um relacionamento. Já não basta querer que o outro seja perfeito, este outro tem que querer estabilidade, monogamia e compromisso pra ontem. Com isso, perde-se a experiência da descoberta e da leveza, do cultivo do querer-bem, da desconstrução das expectativas e construção de objetivos em comum.

Somos pessoas, seres únicos, mas não devemos ser uma ilha. Temos nossos gostos, nossos interesses, nossas ambições, e, no entanto, muitos de nós acaba se recusando a ter seu mundo próprio compartilhado, considerando isso uma invasão. Há pessoas que acreditam que as coisas devam acontecer da forma e no tempo que elas querem, senão, dá trabalho, cansa e frustra.

Não existe nenhum relacionamento interpessoal sem frustrações. Elas acabam por acontecer, e é exatamente neste ponto em que deve-se avaliar a disposição em continuar investindo e construindo. Relações familiares, amigáveis e amorosas são assim, a gente vai desmontando paradigmas e conceitos enquanto vamos nos habituando ao outro e o que ele nos traz. Sem pressa, sem cobranças, leve e natural.

Existem histórias de pessoas que se encontram e já se encaixam; e isso é lindo - mas é exceção. A regra é dividir, compartilhar, comutar e não se fechar para o mundo e criar estereótipos infundados. O mundo já anda rápido demais, as pessoas já andam apressadas, queremos tudo de forma instantânea e pré-moldada.

Os amores plásticos, superficiais e impacientes surgem da ânsia em se ter um status de relacionamento e de se perder o foco na relação em si. Não devemos nos cobrar demais nem tampouco cobrar os outros demais. Tudo tem seu tempo, e com leveza fica mais confortável e mais fácil.

Seria ótimo se todos nós tivéssemos nosso tempo e déssemos tempo ao outro. As relações seriam menos superficiais e não veríamos essa crise emocional - despropositada - acometendo tantas pessoas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Ás de Copas

Eu não consigo dizer o que sinto para quem tanto gosto. Engraçado, é só, sei lá, não consigo dizer. Acontece que quando alguém diz que não sabe demonstrar o que sente, soa como uma confissão, um pedido de ajuda. Quem fala isso é porque está sofrendo, mesmo que às vezes não saiba.

Eu sou o medo de sentir uma alegria que nunca senti, ou uma alegria que senti e perdi às vésperas de se tornar indelével. Eu sou a vergonha de ser, como muitos dizem, vulnerável ao amor, ou, em casos mais graves, uma conversa estreita entre o sentir e o orgulho de demonstrar. A necessidade de aceitação e o medo da rejeição, mesmo que eu não admita. Eu sou um medo tamanho mar-profundo, uma concha que, de tão fechada, ouve de todos por aí que é durona, sendo que, na verdade, só tenho pavor de perder a pérola que há dentro de mim.

Quando a gente diz, da maneira que for, o que sentimos para quem gostamos, a gente envolve aquela pessoa no nosso universo de maneira única. E, felizmente, o nosso universo engloba tudo o que há em nós; os afetos e desafetos, os defeitos escondidos e aparentes, as manias e as loucuras – omitir ao outro as nossas peculiaridades seria uma maneira muito pobre de gostar. Acontece que quando a gente sente que, além de pulsar, o coração formiga, queremos dividir com o mundo, gritar, olhar nos olhos e, sem medir a longevidade das palavras, transportar as formigas que aqui vivem para também conhecer o coração do outro.

Poucos sabem, mas existe uma parcela da vida muito bonita que permeia entre o dizer e o sentir. Sentir é maravilhoso, criamos lugares que nunca imaginamos dentro de nós – profundos, ricos, nossos. Mas, quando a gente fala o que sente, conseguimos transportar os nossos amores para um tapete mágico que, de tão mágico, pode nos levar para onde quisermos. Ver a alegria de quem a gente gosta estampada no rosto é um prazer muito maior do que “só” gostar por gostar; ter a sensação de estar se envolvendo é algo pequenino perto da euforia de dizer ao outro que ele está despertando algo em nós.

Eu ainda não descobri como é divertido dizer, sem pudores, o que se sente, e, pela linda mania que a vida tem de distribuir seus momentos, ter em troca um sorriso de reciprocidade. É como um bom dia com café quentinho e abraço com gosto de eternidade – mesmo que de eterno sejam só as lembranças. A verdade é que a gente perde muito tempo com medo. Perde amores, perde sensações únicas, sorrisos únicos e, por achar que, sei lá, não sei, não consigo, um dia se perde em saudades que, por sua vez, também serão únicas.

Querer ouvir tudo o que se quer, mas não querer falar tudo o que se sente, é injusto com os amores que passam; com os que ficam. Eu te gosto, eu adoro estar com você, foge comigo, estou tão feliz que você está aqui, desce rapidinho, estou com tanta saudade – são palavras que soam feito bálsamo para a alma de quem convive conosco. Uma pena eu não me enfrentar e descobrir como é louco e gostoso esse mundo das palavras que soam feito música.

E olha que eu sei que o tempo passa. Eu sei como a dor de não falar, em longo prazo, amarga a vida. Eu sei o quanto as próximas voltas desse carrossel dão medo. Muito mais medo. Então eu preciso parar de amar a saudade de um dia e começar a gostar de poder gostar, me envolver e falar disso agora

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Surreal. Que loucura, cara.

Nos últimos tempos eu venho atravessando mudanças significativas na minha vida. Meus conceitos, meu pré-conceitos, minhas crenças.

Há aproximadamente um mês eu venho na fase mais intensa destas mudanças.

Tenho sentido vergonha da forma que eu e meus amigos nos tratamos, usando palavras ofensivas que eu antes tinha como "uma forma íntima de tratamento". Tenho sentido vergonha da forma que eu pensava e da forma que eu usava pra me comunicar.

Hoje é meu primeiro dia mudando estas coisas que passaram a me incomodar, coroado com a mudança da minha alimentação. É chegada a hora de me desintoxicar da velha Luciara.

Coincidentemente, é começo de ano. Coincidentemente, é o aniversário da morte da minha mãe.

A mudança é necessária e inevitável, então eu decidi abraçar estes novos conceitos e comportamentos.

Eu tenho muito o que agradecer a algumas pessoas que potencializaram os eventos que me trouxeram a esta decisão. <3

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Eu sou refém de mim mesma (ou "A mulher que sentia demais")

Transtorno de Ansiedade Generalizada: isso é o nome de uma doença mental. Assim como depressão, fobia ou déficit de atenção. Sim, são doenças mentais e precisam de tratamento.

Eu sofro de TAG desde sempre. Durante toda a minha infância este mal foi tratado como bronquite, pelas crises de falta de ar.
A crise mais antiga que me lembro foi na minha festa de 5 anos, quando eu ganhei uma boneca que eu queria muito muito muito. Enquanto eu abria o presente, comecei a ter uma falta de ar colossal, que teve seu ápice quando eu vi a boneca dentro do embrulho.

Uma pena que eu tenha sido corretamente diagnosticada 20 anos mais tarde, mas ainda bem que hoje eu sei o que acontece comigo.

A TAG é um pesadelo com o qual a gente aprende a conviver. Minha cabeça e meus sentimentos vivem num turbilhão. As crises vem aos poucos, num crescente ao longo dos dias e um dia >BUM!< o corpo para de funcionar direito. E não passa rápido, às vezes a TAG toma dias para que meu corpo volte a responder adequadamente.

E eu vivo. Eu me divirto, eu aproveito, eu me apaixono, eu fico feliz e fico triste - numa intensidade gigantesca. Todos os sentimentos que tenho são excessivos. E eu sou supercompetente no meu trabalho - devo muito à essa doença por isso, porque no trabalho eu encontro calmaria sob pressão e prazos curtos simplesmente por conseguir manter a cabeça inteiramente ocupada.

Os sintomas da TAG são difusos: tenho variações confusas de sono, apetite, humor e libido. Tenho palpitações, minhas mãos suam, minhas costas e pernas sempre estão doloridas. Emocionalmente, a ansiedade mexe com minha autoestima, me deixa preocupada com tudo (TUDO mesmo), faz com que eu planeje minhas ações para o pior.

Eu não vivo o presente. Eu sempre estou dez minutos à frente. Sempre entendendo que as pessoas não me querem por perto, que minhas paixões vão me deixar, que meus amigos apenas me toleram.

Minha última crise foi no motel com um cara fantástico. Eu só conseguia pensar "não, agora não, ele não precisa saber ainda que eu sou maluca". A crise durou três dias, e eu só comecei a melhorar quando tive um dia pesadíssimo no escritório. O trabalho me salvando e a doença me fazendo ultracompetente - o ciclo não acaba.

Quem convive com gente como eu precisa praticar (e muito!) a empatia. Pra ajudar uma pessoa com TAG a superar uma crise é preciso carinho e paciência. É preciso poucas palavras. É preciso apenas estar ali oferecendo apoio  em vez de pedir calma.

Eu tenho pessoas incríveis à minha volta, que me dão suporte até sem entender direito o que acontece. Minha família, meus chefes, meus amigos, meu time, meus namorados. Todos, sempre e sem exceção, procuraram me ajudar nesses momentos. E isso só faz com que as crises se tornem quase inexistentes; apenas por eu não precisar (também) me preocupar com o que vão pensar de mim.

Eu amo essas pessoas, do fundo do coração. Sem ansiedade. :)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Só mais uma de amor


Estamos vivendo dias em que as pessoas tem medo de se envolver.
Essas pessoas consideram que quanto menos estiverem envolvidas, melhor. Substituem verdades por clichês e sentimentos por jogos de sedução. Preferem ficar jogando, esconder, se esconder e evitam falar o que realmente sentem.
Não consigo agir desta forma.
Não entendo alguém que some um final de semana inteiro ou que deixa de dizer que sente saudades.
Eu sou do tipo que gosta, que cuida, que se preocupa, que presta atenção em detalhes e não tenho nenhum problema com isso - assim como não tenho nenhum problema em dizer que sinto saudade, que estou encantada e que sinto falta.

Empatia, sabe?

Pra mim, ir pra cama com alguém tem muita coisa além do sexo. Tem cheiro, tem gosto, tem textura, tem cultura, tem inteligência. Tem música, tem afinidade. Tem envolvimento. E ter envolvimento não significa aliança no dedo e casinha com cerca branca em 2 anos. Ter envolvimento quer dizer querer estar ali, de corpo e alma, e no ápice da minha intimidade eu gosto de segurança e bem-querer, mesmo que só por uma noite.
Não calculo uma ação, não planejo as reações, não armo ciladas.

Envolvimento não tem nada a ver com amor ou com compromisso. Tem a ver com entrega. Me envolver é ser completamente de uma pessoa e sentir que a pessoa é toda minha também.

Não há melhor sensação do que saber que a outra pessoa está ali pra mim de verdade - mesmo que pelo curto período de quatro horas.