segunda-feira, 9 de julho de 2018

Da entrega

Oi, Gaudério. Tudo bem?

Tenho pensado bastante em você ultimamente. Não porque eu te queira de volta, ainda mais depois de tanto tempo, mas porque o que a gente teve foi muito especial. O que a gente teve me faz acreditar no Amor.

Meu sentimento por você não era só de sentir; era palpável. Eu conseguia sentir fisicamente meu corpo te amando, por inteiro, por completo. Eu era capaz de sentir minha pupila dilatando ao te ver, meu rosto enrubescendo, meu coração bater descompassado. Eu sentia que aquilo tudo não cabia em mim e que a qualquer momento eu teria que me metamorfosear para conseguir lidar com algo tão intenso e tão grandioso como esse Amor.

Ninguém no mundo me conheceu tanto quanto você. Você sabia os meus medos mais ridículos, os meus sonhos mais babacas, minhas vontades mais infantis. Você era capaz de passar horas jogando videogame - comigo ou apenas para que eu pudesse assistir os jogos que eu não conseguia jogar. Você me acompanhou em eventos que não gostaria de estar para que pudesse participar do meu mundo, e me levou para o seu. Nossas piadas não precisavam de preparação, nossos olhares já se entendiam. Nossos olhares tanto se entendiam que você foi o único a compreender meu olhar perdido com os olhos mareados, o único a respeitar esses momentos e o único que sempre soube o que fazer nessas horas.

Você sempre sabia o que fazer.

Você sabia como me acalmar e como lidar com as minhas crises. Você sentia nossa parceria e nosso companheirismo assim como eu, e isso só nos fazia maiores e melhores a cada dia.

Suas tiradas engraçadas, caretas e filosofias de boteco ainda são repetidas por aqui, depois de tanto tempo. As músicas que escolhemos para nosso casamento ainda ressoam através de mim, e às vezes ainda solto um sorriso de canto de satisfação.

Eu amo você. Não como o homem pelo qual me apaixonei perdidamente, mas pela pessoa que você foi e é. Você foi de uma importância inquestionável. Você me ensinou o que é amar e ser amada, que é possível jogar tudo pro alto e recomeçar tantas vezes quanto necessário. Que é possível se reinventar a cada tropeço.

Eu espero amar outra pessoa desta mesma forma que te amei. Se não, a vida é muito injusta de nos permitir vivenciar tal experiência somente uma vez! Quero voltar a sentir esse Amor que tudo consome e que nada repele, quero me entregar, quero me permitir.

Obrigada por ter me dado a chance de experimentar algo tão magnífico, por me fazer acreditar que as coisas valem a pena e o esforço.

Torce por mim daí, eu torço por ti daqui.

Tua Prenda.

Edit: coincidência ou não, hoje fazem nove anos.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

A falta que a falta faz

Eu sinto. Sinto tanto que nem sei, que nem sou capaz de entender ou absorver.

Sempre estou cercada de gente e ainda assim me sinto sozinha. Um ponto fora da curva, uma supernova segundos antes de explodir.

Aquela velha sensação de que ninguém se importa.

Alguém pra conversar, pra falar dos acontecimentos cotidianos, daquilo que me alegra e me aflige. A solidão que é não sentir conforto em compartilhar, em dividir, em tirar o peso. A solidão que se sente por não ter alguém para apenas se sentar ao lado, ter a mão acariciada e o abraço recebido; para se estar em silêncio ou ouvir palavras banais de consolo.

A solidão em não se ter um porto seguro.

domingo, 10 de junho de 2018

15 Atitudes Para Me Ajudar a Atravessar uma Crise de Ansiedade

1) Saiba que minhas emoções estão à flor da pele e não conseguirei explicar o porquê. Então, por favor, não se desespere ou se irrite comigo.

2) Me ajude a focar naquilo que me faz sentir feliz.

3) Exercícios de respiração me deixarão frustrada mas são essenciais. Tente fazer com que eu sincronize minha respiração com a sua.

4) Faça sugestões delicadas de coisas que poderíamos fazer juntos para distrair meu desespero. Não me diga o que preciso ou devo fazer. E escute quando eu disser não a algo.

5) Relembre-me de que isso já aconteceu comigo e que dessa vez também irá passar! Sempre passa, mas é extremamente desgastante quando está acontecendo, então talvez me conte alguns fatos divertidos sobre mim ou de nossa vida juntos que podem me fazer sorrir.

6) Alguns goles de água podem ajudar, mas não me diga que eu preciso beber porque ACREDITE EM MIM – eu sinto como se fosse vomitar.

7) Não permita que eu ingira álcool. Fico totalmente limitada porque minhas reações são potencializadas.

8) Por favor seja muito legal comigo. Eu não estarei me sentindo como mim mesma, estarei envergonhada, sentindo raiva e depois me sentirei culpada por fazer você ter que passar por isso. Então por favor, não fique frustrado comigo.

9) Se nós pudermos sair de onde estivermos, me leve pra algum lugar que me traga conforto.

10) Às vezes, um longo e tranquilo abraço irá me ajudar a fazer com que eu me sinta segura.

11) Eu evitarei contato amistoso, físico ou emocional. Force essa barra, por dentro tudo o que preciso é que você demonstre que está ao meu lado.

12) Se a situação estiver muito ruim coloque minha filha no celular para falar comigo.

13) Não me diga para lutar contra isso – em vez disso, deixe com que passe através de mim. Quanto mais eu tentar contornar ou controlar o problema, pior será.

14) Seja empático comigo. Você pode não entender o que está acontecendo, mas estará me entendendo.

15) Assim que passar (tipo horas depois), converse comigo sobre o que aconteceu. Como foi? O que podemos fazer na próxima vez? Como podemos evitar?

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Disputa

Sentir ciúme é natural. Faz parte de um momento de insegurança e entrega, quando percebemos o quanto somos suscetíveis e frágeis.

O que é antinatural é a crise que vem quando desbalanceamos o emocional e o racional.

Superestimamos o poder de atração.
Superestimamos a covardia.
Superestimamos a canalhice.

Subestimamos o sentimento.
Subestimamos o bem-querer.
Subestimamos o respeito.

Sentir ciúme é natural. Antinatural é o desequilíbrio. Só tememos no outro aquilo que somos capazes de fazer.

terça-feira, 20 de março de 2018

Centers of what I am of what remains

Eu te amo.

De uma forma diferente de todas as anteriores... mas qual amor é igual? Sempre haverão outras pessoas, outras histórias e outras experiências, afinal.

A diferença no amor que sinto por você é que ele é calmo e pacífico. Eu não havia sentido um amor que me trouxesse paz.
O amor que sinto por você é isso: paz.

Tranquilidade. Leveza.

Eu te juro que gostaria que nos reencontrássemos algum dia, amadurecidos, seguros e com sonhos e desejos em comum.

Serei sempre grata por termos cruzado nossos caminhos. Não há arrependimento, não há mágoa, não há qualquer sentimento ruim. Me conheci e me reconheci mais um pouco, e espero ter deixado um pouco de mim em você da mesma forma que carregarei um pouco de você comigo.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Eu não quis um final pra gente

Imaginei que pudéssemos contornar cada desavença e cada discordância. Imaginei que fôssemos capazes de superar crises e distanciamentos.

Apesar de o meu discurso ter sido o oposto, eu quis sim uma casinha com cerca branca e dois cachorros.

Eu sinto tanto que me dói.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Contagem progressiva

Eu planejei tudo para dar um fim às coisas hoje. E a vida, como uma dama com uma luva de pelica, me bateu na cara quando eu já não tinha mais esperanças.

2017 foi um ano conturbado. Ouso dizer que está nos top 3 piores anos da minha vida.
Perdi o emprego que eu tanto amava. Magoei pessoas que me são caras, queridas e importantes. Me afastei da minha família de sangue. Fui abraçada pela depressão e vi o rosto da morte diariamente. Esperei sem vontade por um milagre.

O milagre que eu esperei me aconteceu.

Fui chamada de volta para a empresa que sempre me abraçou e me apoiou. Reconstruí minhas relações e conheci o perdão. Entendi que família de verdade é aquela que a gente escolhe e que nos acolhe. Ainda converso frequentemente com a tristeza mas já não sinto o fio gelado da morte.

O milagre que eu esperei me aconteceu.

Até ontem eu acreditei que este ano seria o fim. Agora acredito que ele veio e destruiu tudo para que eu possa me reinventar e colocar tudo em seu lugar.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Contagem regressiva (-3)

Ontem estive conversando com alguém que já esteve em meu lugar. Claro que em outros contextos, porém com a mesma conclusão.
Eu não tinha parado pra pensar se minha decisão é por falta de esperança ou para atingir outras pessoas, e minha conclusão é que é um pouco de cada. A desesperança está cada vez mais encravada em mim, me cutuca e me corrói.

Desesperança.
Desprezo.
Invisibilidade.
Desimportância.

Há algo sobre nós mesmos que ignoramos. Algo que negamos existir até ser tarde demais para se fazer algo a respeito. É o único motivo pelo qual levantamos toda manhã. O único motivo pelo qual aguentamos o sangue, o suor e as lágrimas. É porque queremos que as pessoas saibam o quanto somos bons, atraentes, generosos, engraçados e inteligentes.

"Tenha medo de mim ou me reverencie. Mas por favor, me considere especial."

Compartilhamos um vício: a necessidade de aprovação. Todos nós queremos um tapinha nas costas e o relógio de ouro, o grito da torcida. "Olha só o garoto inteligente com o brasão polindo o troféu! Continue brilhando, diamante maluco!" Afinal somos macacos de terno, implorando pela aprovação dos outros. Se soubéssemos disso, não faríamos isso tudo.

Desesperança.
Desprezo.
Invisibilidade.
Desimportância.

Abrace a dor e vença esse jogo.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Contagem regressiva (-5)

"O que você vai fazer no Ano Novo?"
"Não sei. Provavelmente morrer."

Foi assim que começou meu primeiro diálogo hoje. Descemos para fumar e lá se foi quase uma hora podendo, finalmente, conversar abertamente com alguém sobre meus planos. E sem ser julgada. Sem ser taxada ou rotulada. Apenas uma pessoa me ouvindo e discutindo suicídio como se discute o futebol do final de semana.

E foi bom.

Ao longo do dia me esforcei para esconder as marcas que fiz em meu corpo, mas o calor não me permitiu ficar coberta. Duas pessoas viram e me perguntaram o que era aquilo.

"Gatos."

Menti. Menti descaradamente. Na noite de Natal eu estava vendo minha tolerância à dor, se eu seria capaz de fazer uso do método mais tradicional.

Omiti. Omiti para quem me perguntou como eu estou. "Meu time me anima." Resposta vaga e suficiente para quem não tem um real interesse em saber das coisas.

As pessoas gostam de mentiras bonitas.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Contagem regressiva (-7)

Cheguei no primeiro grande evento. O Natal.

Hoje eu gostaria de estar apenas em dois lugares: ao lado do meu pai e da minha filha ou ao lado do homem que estou amando. E estou em casa. Sozinha.

No último final de semana eu pesquisei muito sobre formas de suicídio. Buscando uma forma indolor, optei pela morte doce e encontrei dois métodos viáveis até então - meu carro quebrou e não liga, o que me impede de fazer da forma menos trágica e dramática.

Eu queria conversar com as pessoas que me são queridas sobre isso, então andei deixando algumas dicas sobre a minha intenção. Percebi que suicidas não falam abertamente sobre suas pretensões para que não sejam impedidos. Eu não quero que alguém me impeça, mas tenho um forte desejo de que algum tipo de milagre me aconteça e me faça sentir que ainda vale a pena estar por aqui.

Eu esperei por um milagre específico durante toda a última semana, eu pedi abertamente por ele. Pedi para o homem que amo me salvar nas festividades de fim de ano. Bastavam três palavras: "Quer ir comigo?" ou "Fico com você."

O milagre que esperei não aconteceu.

Hoje é véspera de Natal e eu não estou conseguindo entender minha cabeça. Estou confusa, como se estivesse bêbada, entorpecida. Não tenho vontade de fazer nada nem de encontrar ninguém. Não consigo manter o foco em uma atividade, já tive crises de choro e de ansiedade.

Não sei se quero sobreviver à noite de hoje.

Tenho os remédios aqui. Tenho as sacolas plásticas. Tenho a coragem. Alguns dizem que não é coragem, e sim covardia. A minha covardia é de continuar vivendo uma vida insossa, sem objetivos e sem motivações. Eu acordo todos os dias porque meu corpo me obriga e me alimento porque sinto fome. Tenho tomado meus remédios, cuidado da minha aparência e ido ao trabalho porque não quero que ninguém desconfie dos meus planos. Não para me impedir.

Ninguém tem culpa disso. Nem as pessoas que percorreram a minha história e nem eu mesma. Quem tem culpa disso é a vida mesmo. A vida que me faz sentir vilipendiada, incompreendida e descartada.